Agência CEBDS
05/04/2019 11:01

AGRICULTURA, MUDANÇAS CLIMÁTICAS E NOVOS CAMINHOS PARA UM FUTURO MAIS SUSTENTÁVEL


Felipe Cunha, assessor técnico do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável

Somando as emissões de GEE (gases de efeito estufa) diretas da agropecuária com as de mudança de uso do solo chegamos ao resultado das maiores taxas globais de contribuição às mudanças climáticas. No Brasil, essas atividades chegam a representar mais de 70% das emissões nacionais. Na mesma balança a agricultura é a atividade humana mais vulnerável aos impactos da mudança do clima: suscetível a perdas de safras pela mudança de temperatura, redução de polinizadores, queda do índice de chuvas, eventos extremos e fenômenos climáticos mais constantes (como El Niño). No entanto, olhando através de outras lentes, a agricultura tem – justamente a partir desse cenário - a maior oportunidade de ser protagonista na redução e mitigação as emissões brasileiras.

E a boa notícia é que já temos práticas e tecnologias capazes de uma transformação no agronegócio, como por exemplo a Agricultura de Baixo Carbono (ABC) e a Inteligência Agroclimática (IAC).  Com algumas técnicas consagradas, outras em plena evolução e com um futuro promissor, esses programas podem atender desde a agricultura familiar até a produção em larga escala.

Dentre as técnicas de ABC destacam-se: Integração Lavoura Pecuária e Floresta, sistemas agroflorestais, agricultura de precisão, fixação biológica de nitrogênio, sistemas de plantio direto, rotação de culturas, manejo integrado de pragas e outras.

A Inteligência Agroclimática vai além de mirar as reduções de emissões como alvo, mais também co-construir uma capacidade de resiliência para homem no campo em relação às mudanças climáticas já em curso e sua permanência econômica. Para isso, pretende combinar uma série de tecnologias e ativar a colaboração de diferentes setores para construir uma agricultura que seja capaz de disponibilizar 50% a mais de produtos agrícolas de qualidade nutritiva e energética enquanto se reduz em 50% as emissões de GEE até 2030. Com foco nessa ambição o IAC se move em  4 (quatro) pilares essências: resiliência, conservação, monitoramento e finanças. E quanto mais integrados esses pilares maior sua taxa de sucesso combinada.

A integração de práticas de baixa emissão de carbono associadas a alta tecnologia como agricultura de precisão, inteligência artificial, big data, análise edafoclimática sistêmica, microorganismos eficientes, fertilização biológica, e outras tantas adicionadas à melhoria em técnicas de Redução de Perdas e Desperdícios indicam um caminho fundamental para trazer uma inteligência inovadora da “fazenda ao garfo”, permitindo maiores quantidades de produtos eficientes e menos emissão de GEE.  

O CEBDS – Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável - lidera esse processo no Brasil com parceiros como Bayer, Climate Smart Group, DSM, Conservação Internacional, entre outros. Além do Brasil existem mais 4 áreas prioritárias para o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD): Oeste Africano, Sudoeste Asiático, Índia e América do Norte.

Apesar dos desafios serem grandes e de necessidades emergenciais, precisamos construir coletivamente uma cadeia de valor diferenciada que elabore uma estrutura capaz de transformar a realidade e solidificar uma alternativa para uma agricultura mais sustentável. Precisamos olhar os insumos, uma produção positiva em carbono, novos modelos financeiros, a valoração de ativos ambientais, o desenvolvimento de um mercado de carbono e o desenvolvimento de um mercado inclusivo, justo e eficaz para estes produtos diferenciados.


 

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