Agência CEBDS
04/04/2019 11:00

VALORAÇÃO CAPITAL SOCIAL


Henrique Luz, assessor técnico do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS)

 

O real valor de uma empresa não pode ser representado apenas por um relatório financeiro. As relações da companhia com o território onde atua refletem diretamente na sua capacidade de gerar lucros futuros e no valor que ela agrega à sociedade. Para diversos temas ambientais, tais como poluição atmosférica, mudanças climáticas e uso múltiplo da água, já existem ferramentas bem consolidadas que conseguem traduzir essas questões para uma escala comum ou mesmo monetária. Quando tratamos de impactos sociais, ainda que existam metodologias consistentes, essa valoração ainda não estabeleceu um caminho que seja  reconhecido pelas diversas partes envolvidas.

 

Nesse sentido, será lançado, ainda na primeira metade deste ano, a versão atualizada em inglês do Protocolo de Capital Social e Humano (Social and Human Capital Protocol, no título original). Este documento, que se apresenta como um quadro metodológico, se propõe a oferecer um processo consistente feito para gerar informações para tomada de decisão nos negócios. As empresas que seguirem os passos do protocolo poderão construir uma abordagem customizada para mensurar e valorar o seu capital social e humano, baseado nas melhores técnicas disponíveis.

 

Ainda que o documento ofereça um mapeamento dos possíveis caminhos a serem seguidos, essa tarefa não será fácil para alguns temas caros para as empresas. Em especial, atento aqui para a responsabilidade destas com o respeito aos Direitos Humanos. Desde a sua Declaração Universal, que fez aniversário de 70 anos em dezembro passado, as Nações Unidas vem gradualmente ampliando esses direitos de forma a compreender padrões para mulheres, crianças, pessoas com deficiência, minorias e outros grupos vulneráveis, que hoje possuem direitos que os protegem de atos discriminatórios a muito tempo comum em algumas sociedades.

 

No brasil, a maioria dessas garantias já estão respaldadas através de instrumentos legais vigentes, inclusive fundamentando a nossa constituição. Recentemente tivemos a publicação do Decreto 9.571/2018 que estabelece as Diretrizes Nacionais sobre Empresas e Direitos Humanos, para médias e grandes empresas em atividade no país. O instrumento legal foi criticado, especialmente, pela falta de diálogo e por deixar brechas para um entendimento de que o cumprimento dos direitos humanos pelas empresas não é obrigatório, dada o teor voluntário das diretrizes do decreto.

 

É importante as empresas seguirem com os esforços para garantir o cumprimento desses direitos ao longo de toda a sua cadeia de valor, disseminando a cultura do respeito e ajudando a criar um ambiente de bons negócios para todo o território. Desenvolver métricas e indicadores para monitorar e gerenciar as suas ações, facilitado pela aplicação do Protocolo, é uma das ações necessárias que podem ajudar a incorporar os direitos humanos na gestão corporativa e subsidiar processos decisórios. As empresas que não internalizarem esses fatores na valoração dos seus negócios  irão falhar em calcular o valor real das suas atividades.

 

Copyright © 2019 - Todos os direitos reservados para o Grupo Estado.

As notícias e cotações deste site possuem delay de 15 minutos.
Termos de uso
Inscreva-se!
Receba no seu email newsletters e informações sobre nossos produtos