Agronegócios
23/06/2022 08:21

Trigo: Ucrânia deve enfrentar desafio para manter ritmo de exportação necessário


Por Isadora Duarte

São Paulo, 23/06/2022 - Apesar das alternativas discutidas para logística de seu trigo, sejam fluviais ou por ferrovias, a Ucrânia ainda deve enfrentar desafio para manter o ritmo necessário de exportação na safra 2022/23, diante da guerra com a Rússia, avalia a consultoria HedgePoint. "Mesmo que todas as ideias sobre as exportações ucranianas fossem colocadas em prática, ainda seria um desafio para o país atingir o ritmo de exportação necessário", diz o relatório global da consultoria assinado pelo analista David Silbiger.

O país deve colher cerca de 20 milhões de toneladas no ciclo 2022/23. "À medida que a colheita de 22/23 se aproxima na Ucrânia, todos os olhos estão voltados para capacidade de produção e exportação do país. Mesmo que esse nível de produção seja atingido, ainda seria necessário armazenar e exportar este trigo para que a oferta global apertada seja aliviada", observou Silbiger.

A HedgePoint destaca que a Ucrânia foi quase completamente excluída do comércio marítimo global quando a invasão russa começou, ficando impossibilitada de escoar seus grãos pelo Mar Negro - tradicional rota de exportações da região. De acordo com dados da consultoria baseados em informações oficiais do governo ucraniano, em maio, o país embarcou apenas 43,5 mil toneladas de trigo - 20 vezes menos que em igual mês do ano passado. "E mesmo que as capacidades ferroviárias tenham melhorado, sem os fluxos do Mar Negro seria impossível para o sistema de armazenamento ucraniano, já sob forte tensão, absorver a próxima safra de trigo de inverno", escreveu Silbiger.

Sobre as alternativas ferroviárias, a HedgePoint cita que o país discute a construção de uma via de 300 quilômetros até a Lituânia, a construção de silos de grãos na Polônia proposta pelos Estados Unidos e a proposta de usar Belarus como corredor de grãos ucranianos. "Essas iniciativas seriam necessárias para aumentar a capacidade de exportação sem os portos, que atualmente não podem ultrapassar 1,5 milhão toneladas por mês, de acordo com o Ministério da Agricultura da Ucrânia. Uma alternativa seriam as vias fluviais através do Danúbio, mas ainda enfrenta dificuldades em relação à falta de capacidade nas paradas ao longo do rio. No geral, como as próprias autoridades afirmaram, a única opção real para as exportações em larga escala seriam as rotas marítimas", enfatizou a consultoria.

Em relação às vias marítimas, a consultoria aponta que os dois portos disponíveis no momento não representam escoamento de "grande" volume de trigo e estão distantes dos principais armazéns. "O retorno do fluxo livre no Mar Negro, onde a maior parte da produção era embarcada, está sendo discutido com vários players, com países como a Turquia, enquanto a Rússia tenta impor condições restritivas para o comércio. Além de gargalos logísticos óbvios (o plano russo, por exemplo, exige que todos os navios de comércio sejam inspecionados pelo marinha russa) ainda há resistência ucraniana, pois o país está cauteloso em criar uma possível oportunidade para um ataque russo", destaca o relatório.

A consultoria aponta também que, embora a falta de oferta ucraniana tenha elevado os preços internacionais do cereal, ainda há riscos de longo prazo para o mercado. "Como a incerteza que desincentiva a safra de trigo de primavera e até mesmo o plantio do próximo ciclo do trigo de inverno", afirmou a consultoria.

Contato: isadora.duarte@estadao.com
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