Agronegócios
07/11/2019 11:36

Joaquim Levy: agro é sustentável e não há campanha internacional contrária que se sustente


Por: Francisco Carlos de Assis

São Paulo, 07/11/2019 - A atividade agropecuária no Brasil é sustentável e não há campanha internacional contrária a isso que se sustente, diz o ex-ministro da Fazenda do governo Dilma Rousseff e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Joaquim Levy. O economista, que deixou o banco após desentendimento com o presidente Jair Bolsonaro, diz ao Broadcast Agro que tem aproveitado seu período de quarentena para viajar pelo Brasil para conversar com produtores rurais e saber o que eles pensam sobre preservação do meio ambiente. “A reação tem sido muito positiva”, disse.

Levy, que antes de aceitar o convite do ministro Paulo Guedes para presidir o BNDES era diretor-geral e Financeiro do Banco Mundial, comenta que atualmente esta trabalhando com um grupo de especialistas em meio ambiente para criar uma plataforma de informações para mostrar que é realista o Brasil vir a ser um país de economia limpa, de emissão líquida zero de carbono.

O Brasil, de acordo com o ex-ministro, tem dado sinais de recuperação econômica. A questão, ressalta, é saber o que fazer para orientar os investimentos, que têm de crescer e chegar a 17% do Produto Interno Bruto (PIB). “Como se investe sem levar em consideração o futuro, a mudança climática?”, questiona Levy. Na sua avaliação, o Brasil tem condições de se proteger e de se tornar mais competitivo, "gerando dinheiro e emprego”.

Levy diz que a agricultura e a pecuária brasileiras mudaram e que produtores rurais sabem que não precisam derrubar a Amazônia e nem o Cerrado para aumentar a produção. “Até porque estamos cheios de pastagens degradadas que podem ser recuperadas. Tenho conversado nas minhas viagens com muitos produtores rurais que estão capitalizados e dispostos a investir na integração lavoura-pecuária”, revela.

Para o economista, o Brasil tem a vantagem de colher até três safras por ano e entre depois da colheita aproveitar o pasto que cresceu junto com a lavoura. “Então esse produtor faz a economia circular e diminui enormemente a necessidade de insumos. Ou seja, ele está internalizando ganhos e ao mesmo tempo desenvolvendo um negócio sustentável”, diz. Com "pouco investimento" ele produz até três bois por hectare e no mesmo espaço colhe milho, soja e, às vezes, algodão. “E tudo integrado. É mais dinheiro e menos terra desmatada.”

Ele destaca também a integração de pastagem com produção de eucalipto, que proporciona sombra à boiada. “Além de proporcionar bem-estar, o animal na sombra cresce melhor”, salienta.

Contato: francisco.assis@estadao.com
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