Agronegócios
15/07/2020 16:47

Carnes: estreante na pecuária, GDR Holding investe a partir de Goiás para ficar entre os grandes


Por Ariosto Mesquita, especial para a Agência Estado

Campo Grande, 24/06/2020 - A GDR Holding Investimentos, grupo nacional com sede na capital paulista e com raízes no setor de metalurgia, está entrando na atividade pecuária com a meta de terminar 2021 abatendo perto de 5.000 cabeças por dia e confinando aproximadamente 400 mil bois/ano. O primeiro passo foi dado em maio passado, quando anunciou o arrendamento da estrutura física do Frigorífico Boivi, em Goianésia (GO), desativado desde o ano passado. O início das operações está previsto para setembro, com o abate de até 900 cabeças/dia.

O investimento foi de R$ 24 milhões diluídos em cinco anos (R$ 400 mil/mês) e a expectativa é de um faturamento (bruto) médio/mês de R$ 100 milhões e uma margem de lucro de até 15% nos primeiros meses. Mas se depender do empresário Diego Gonsales dos Reis, de 35 anos, diretor-presidente da GDR (sigla das iniciais de seu sobrenome: Gonsales dos Reis), este é apenas um vagão no comboio. “Temos pouco mais de um ano para colocar a locomotiva e todo o trem para correr nos trilhos”, afirmou ao Broadcast Agro.

A GDR funciona, segundo ele, como uma holding de capital fechado. “Pretendemos abrir em 2025”, adianta. Por enquanto, estuda dar fôlego aos produtores parceiros utilizando recursos próprios através da subsidiária Vancouver Fundo Multimercado. “A Vancouver foi aberta para fomentar inicialmente nossa própria operação em troca de notas promissórias rurais de pecuaristas que venham a entregar gado para nós. Ou seja, ajudaremos a financiar a produção de fornecedores. Este ano temos em caixa R$ 60 milhões para este fim”, garante.

A holding criou uma subsidiária apenas para este trabalho - A GDR Foods - cuja meta é expandir a atividade, fincando pé em outras regiões. “Em breve começaremos a construir um frigorífico novo em Água Boa (MT), com capacidade de abate para 1.500 bois/dia. A nossa previsão em 2021 é investir R$ 400 milhões, incluindo dois ou três novos frigoríficos próprios rodando e abatendo pelo menos 5.000 cabeças diariamente até o final de ano”, calcula. “Em se tratando de frigoríficos, nossa ideia é ficar entre os grandes”.

Com pouca experiência em pecuária, Reis admite que “há muito a aprender”. Durante algum tempo a GDR trabalhou com negócios de compra de rebanho e abates com terceiros, mas de forma experimental. No fim de 2019, o empresário assumiu um frigorífico no Uruguai (440 bois/dia) e, em março deste ano, outro no Paraguai, com capacidade máxima para abater 700 animais/dia. Agora negocia nova planta em território paraguaio, desta vez para 1.200 cabeças/dia.

A atividade de referência em rentabilidade do grupo sempre foi a metalurgia, mas com a retração econômica a pecuária passou a ser principal foco. A previsão de Reis é de que nos próximos anos represente 60% dos lucros da holding. Segundo ele, a GDR obteve em 2019 um faturamento bruto de R$ 740 milhões atuando, além da metalúrgica, também nas áreas de construção civil, grãos, eucalipto, shoppings e restaurantes.

Indagado sobre como garantirá oferta suficiente de animais para manter escalas no Brasil, Reis diz que tentará parcerias com produtores (oferecendo crédito para financiar parte da produção contra garantia de entrega, por meio da Vancouver) e contará com o apoio do trabalho de outra subsidiária: A GDR Confinamento. “Em 2021 nosso orçamento prevê a compra de animais para confinamento. A meta é terminar pelo menos 400.000 cabeças ano que vem. Para atender parte da escala de abate do frigorífico em Goianésia, estamos arrendando um confinamento em Goiânia com capacidade estática para 13.000 cabeças. Está 99% fechado. Caso tudo dê certo, em 30 dias começo a fechar animais no segundo giro deste ano para engordar pelo menos 4.000 bois ainda em 2020”, revela.

O custo do arrendamento é, segundo ele, de R$ 3,8 milhões/ano e o contrato vale por cinco anos. A GDR também está negociando outros espaços de confinamento. Um deles seria em Minas Gerais e teria capacidade, segundo conta, para terminar 160.000 cabeças em três giros. Para colocar tudo em funcionamento, ele diz contar com dinheiro próprio e aporte de investidores, sobre os quais não comenta. Segundo o empresário, os primeiros dois anos serão trabalhados com animais próprios. A partir de 2023 a ideia é destinar 60% da capacidade para serviço de boitel.
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