Agronegócios
04/09/2017 14:20

Focus retrata início de movimento de revisões para PIB por confiança em retomada consistente


São Paulo, 04/09/2017 - O boletim Focus começou a refletir, nesta segunda-feira (4), a percepção mais favorável sobre a atividade econômica do mercado financeiro após a divulgação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que cresceu 0,2% ante o primeiro quarto do ano. A mediana das estimativas para o PIB deste ano na Focus aumentou de 0,39% para 0,50%, enquanto a para 2018 permaneceu em 2%. Mas os economistas consultados pelo Broadcast avaliam que esse consenso pode subir ainda mais nas próximas leituras, impulsionado pela expectativa positiva em relação ao consumo no segundo semestre.

A pesquisa do Projeções Broadcast, realizada na mesma sexta-feira (1º) do anúncio do PIB de abril a junho, já apresentou estimativa mediana e média de crescimento econômico de 0,60% em 2017. Há até quem veja alta do PIB maior que 1% este ano. O intervalo vai de zero a 1,10%.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, foi um dos que revisaram a projeção para o PIB deste ano e do próximo em função da avaliação de que o PIB do segundo trimestre mostrou sinais mais consistentes de recuperação da atividade econômica. Sua previsões subiram de 0,40% para 0,75% para 2017 e de 1,60% para 1,90% para 2018.

"O destaque do crescimento esperado para este ano é o consumo. Os investimentos não devem ter reação pela grande alavancagem das empresas e pela incerteza política que deixa o empresário bastante cauteloso", diz Camargo Rosa. "Isso condiz com as expectativas de crescimento baixas", pondera o economista.

Um dos fatores que aumentam a confiança em uma recuperação econômica guiada pelo consumo é o processo desinflacionário - reforçado pela Focus divulgada nesta segunda - que abre espaço na renda das famílias. Os economistas do mercado financeiro voltaram a reduzir suas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2017, de 3,45% para 3,38%, conforme a mediana. Em 2018, a expectativa agora é de 4,18%, de 4,20%.

Camargo Rosa lembra que, a despeito de fatores pontuais, como o aumento do PIS/Cofins sobre os combustíveis, a tendência de inflação baixa deve continuar por influência do efeito defasado dos preços de serviços, que recentemente começaram a arrefecer por influência do alto desemprego.

Na opinião do economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio Souza Leal, a estimativa menor para inflação deste ano é resultado, principalmente, das constantes surpresas deflacionárias dos preços dos alimentos.

Ele lembra que, quando do anúncio do aumento do PIS/Cofins sobre os combustíveis, os analistas previam alta de cerca de 0,60% para o IPCA de agosto, pressionada também pela substituição da bandeira amarela pela vermelha na conta de luz. Hoje, sua projeção é de 0,35% e a mediana da Focus caiu para 0,39%, de 0,44%. "Essa redução é consequência basicamente de Alimentação, porque os preços não param de cair", diz.

Souza Leal completa que a perspectiva inflacionária para setembro também deve ter alívio. O economista projeta 0,10% para o dado deste mês, enquanto a Focus mostra 0,29%, de 0,31% na semana passada. "Com a volta da bandeira amarela na conta de luz este mês e essa projeção de queda maior de Alimentação, os mais otimistas já falam até em declínio do IPCA em setembro", afirma.

A chance de a inflação deste ano ficar abaixo do piso da meta (3%) não é descartada, portanto, por Souza Leal, em virtude do choque favorável de Alimentação. Sua projeção, contudo, ainda aponta para 3,20%. "A probabilidade não é desprezível e não será uma carta tão agradável de ser escrita pelo Banco Central em função do PIB ainda baixo", avalia, referindo-se à carta que a instituição tem que enviar ao Ministério da Fazenda em caso de descumprimento da meta de inflação.

Quanto ao PIB de 2017, Souza Leal acredita que a mediana da pesquisa Focus deve continuar subindo nas próximas leituras, ficando entre 0,70% - sua projeção - e 1%, graças à expectativa de que o consumo siga com bons números no segundo semestre. "A redução maior dos juros na ponta final, para o consumidor, é o que vai sustentar o consumo", completa. (Thaís Barcellos - thais.barcellos@estadao.com)
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