Agronegócios
20/01/2022 08:30

Biodiesel/Erasmo Battistella: há matéria-prima para revisão do corte na mistura mesmo com estiagem no Sul


Por Augusto Decker

São Paulo, 20/01/2022 - Mesmo com a estiagem no Sul do Brasil e os prejuízos à safra de grãos na região, há matéria-prima suficiente para o governo revisar a decisão de manter a mistura do biodiesel no diesel em 10%, afirma o CEO da BSBIOS, Erasmo Carlos Battistella. "Apesar da quebra de safra no Sul, o País vai ter grande produção de soja, e nós precisamos parar de exportar grão in natura e processar, agregar valor dentro do País", disse ele. "Na nossa avaliação, dá para revisar a posição mesmo com a quebra no Sul", afirma. Para ele, os problemas climáticos adversos são causados pelo aquecimento global, "e o aquecimento global se combate com ações".

Em novembro passado, o governo anunciou que manteria a mistura do biocombustível no diesel em 10% este ano - a previsão inicial era de avanço para 14% - com o argumento de proteger os interesses do consumidor. A expectativa de Battistella é de revisão dessa decisão ainda em 2022. "Foi uma decisão baseada na economia, e dizemos que nós não temos culpa da inflação que aconteceu no Brasil e muito menos somos culpados pela disparada do dólar. Não é justo o que aconteceu no setor e esperamos que o governo reavalie."

O CEO participa da National Biodiesel Conference & Expo 2022, em Las Vegas, nos Estados Unidos, que começou na segunda-feira e vai até hoje (20). "Vejo que há um grande compromisso dos Estados Unidos em dar continuidade à pauta da descarbonização", afirmou. "O compromisso que os EUA assumiram em Glasgow (na Escócia), eles parecem estar cumprindo. Biocombustíveis são rota importante para EUA, tanto biodiesel quanto diesel verde e combustível de aviação sustentável (SAF)."

De acordo com o executivo, participantes do evento ficam "perplexos" quando ele fala sobre o corte da mistura obrigatória no Brasil. "Sabem o quanto somos relevantes na produção de soja e como o Brasil se posicionou com firmeza na COP26, ratificando que biocombustíveis são rotas de descarbonização", disse.

Durante a sessão de abertura da conferência, o National Biodiesel Board informou que trocaria de nome e passaria a se chamar Clean Fuels Alliance America. Para Battistella, o Brasil poderia seguir esse exemplo. "A associação, que antes era só de biodiesel, agora trabalha também com diesel verde, querosene para avião... É um escopo mais amplo, e que, na minha opinião, deveria ser inspiração para nós termos uma grande instituição trabalhando a pauta dos biocombustíveis - exceto o etanol, que já tem a sua grande associação, a Unica", afirmou.

Ele lembrou que o RenovaBio já é inspirado no programa do estado norte-americano da Califórnia e que boa parte da tecnologia usada hoje no setor é oriunda dos Estados Unidos. "A maior cooperação é nos inspirarmos neles, darmos continuidade às políticas de uso de biocombustíveis e implantar o marco regulatório."

Contato: augusto.decker@estadao.com
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