Agronegócios
25/11/2020 08:29

Summit Agronegócio/Arpac/Goerl: aplicação de defensivos por drone reduz custos de produção


Por Julliana Martins e Tânia Rabello

São Paulo, 24/11/2020 - O CEO e fundador da empresa de serviços aéreos agrícolas Arpac, Eduardo Goerl, afirmou nesta terça-feira que a aplicação de defensivos por drones nas lavouras reduz em 45% os custos totais e em 80% os gastos com defensivos. Já em caso de tratamento de ervas daninhas, a economia em herbicidas chega a 65%, em função da aplicação dos produtos de forma localizada, com base em imagens de GPS, disse ele em painel sobre tecnologia no segundo dia do Summit Agronegócio Estadão 2020. O evento ocorre desde ontem e se encerrará amanhã.

Com o desenvolvimento customizado dos seus próprios drones e fabricação de grande parte deles na China, a Arpac oferece soluções com imagens de alta qualidade em escala milimétrica e os resultados agronômicos são positivos mesmo em terrenos acidentados, conforme Goerl. Ele também afirmou que dependendo da característica de cada equipamento, a empresa customiza as funções para a realidade brasileira e desenvolve diferentes soluções de aplicação. "Para formicidas granulados, por exemplo, tínhamos de largar 20 gramas a 60 quilômetros por hora e a 20 metros de altura, sendo que eles não poderiam cair a menos que 10 centímetros um do outro", exemplifica ele, dizendo que a tecnologia empregada garante essa precisão.

Com testes feitos em lavouras de milho, por exemplo, ele enumerou as vantagens dos drones: "Milho em pré-colheita já está bem alto e impossibilita a entrada de máquinas na área", disse. "Em áreas pequenas, não compensa usar aviões agrícolas para aplicar defensivos", continuou. Assim, em testes feitos pela Arpac, com aplicação de fungicidas pré-pendoamento, houve ganho de 15,39 sacas por hectare. "As áreas-testemunha, onde não houve aplicação, colheram 15,39 sacas por hectare a menos do que as 197,87 sacas por hectare das áreas tratadas."

Goerl comentou, ainda, que é uma tecnologia que pode ser acessada também por pequenos produtores, que ficam fora do mercado de aplicação por avião agrícola - que aplicam em áreas de no mínimo 20 hectares -, por exemplo. "Sem tecnologia de drones ou na impossibilidade de entrar com grandes máquinas na propriedade, pequenos produtores lançam mão dos 'pragueiros', que caminham pela lavoura e dizem qual aplicação deve ser feita naquele campo", disse ele, acrescentando que mão de obra e investimento em equipamento ainda são problemas para produtores desse porte.

A empresa, que teve o primeiro ano de operação em 2018, optou por montar hubs de operação em vez de ter apenas uma base e viajar com os drones pelo País, conforme o fundador. Assim, da safra 2018/19 para a 2019/20, a Arpac criou hubs em São Paulo, Goiás, Mato Grosso e no Rio Grande do Sul. Na safra 2020/21, chegaram a Rondônia, Tocantins e Minas Gerais. "Em 2020, em julho, começamos a operar nos Estados Unidos. Fizemos os primeiros voos dessa safra lá, em parceria com a Taranis, em lavouras de milho e soja em Indiana e Illinois", contou Goerl, afirmando que a empresa voltará às lavouras norte-americanas em 2021.

O executivo disse, ainda, que "é consenso no mercado que o drone é complementar ao trabalho do avião, não substituto". Segundo ele, cada equipamento é mais adequado para um determinado tipo de aplicação em determinada área. "O nosso entendimento é que pelos próximos 15 a 20 anos o drone ainda vai trabalhar lado a lado com o avião, porque apesar da eficiência do avião, existem regiões em que é difícil de sobrevoar e colocam a vida do piloto em risco", afirmou Goerl.

contato: julliana.martins@estadao.com; tania.rabello@estadao.com
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