Agronegócios
13/09/2017 11:11

JBS: Em agosto, Wesley dizia estar 'seguro e tranquilo' sobre investigações sobre insider


São Paulo, 13/09/2017 - O presidente da JBS, Wesley Batista, dizia estar "seguro e tranquilo" sobre as suspeitas de uso de informação privilegiada em operações da empresa às vésperas da delação de seu sócio e irmão Joesley Batista. O executivo falava a analistas que fazem a cobertura da empresa para o mercado financeiro em teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre da companhia, divulgados no dia 14 do mês passado.

Durante a conversa, Wesley foi bastante questionado sobre esta e demais investigações envolvendo o universo da empresa que acabaram ofuscando, em parte, os comentários sobre resultados operacionais da JBS, que foram satisfatórios mesmo com os abalos do período, como a Operação Carne Fraca. Na teleconferência, Wesley disse que a companhia e seus executivos prestaram todos os esclarecimentos com documentos e fatos. "A companhia e todos os executivos têm confiança de que nenhuma operação saiu fora do curso normal", disse. "Não posso responder sobre o processo em si, porque é um processo que a CVM está conduzindo", completou sobre a parte que corre especificamente na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Durante a operação da Polícia Federal (PF), batizada de Tendão de Aquiles, foram entregues documentos e materiais solicitados pela companhia às autoridades. A operação investiga ganhos da holding J&F e da JBS em operações de câmbio, títulos e ainda ações em operações feitas antes da divulgação da gravação do empresário Joesley Batista com o presidente Michel Temer e da delação premiada dele, do irmão, Wesley Batista, e de executivos da JBS, as quais trouxeram forte volatilidade ao mercado.

A operação foi deflagrada no dia 9 de junho e teve como base inquérito aberto no dia 19 de maio, a partir do Comunicado ao Mercado 02/2017 da CVM, que tornou pública a abertura de cinco processos administrativos para apuração de transações que teriam assegurado ao grupo ganhos milionários nos mercados de dólar e de ações. Em 17 de maio, mesmo dia em que notícias sobre a delação vieram à tona, a tesouraria da JBS comprou R$ 35,6 milhões em ações da empresa. Mas enquanto a empresa comprava suas próprias ações, os acionistas controladores se desfaziam de papéis. As vendas em 17 de maio totalizaram R$ 35,114 milhões. Na véspera, dia 16, os controladores venderam R$ 9,957 milhões em ações da JBS.

A questão da compra de dólares teve um episódio inusitado. O juiz federal Tiago Bitencourt De David, que extinguiu a ação popular que bloqueava bens de Joesley Batista, reduziu em dez vezes o valor estimado do suposto lucro obtido pela empresa com compra de dólares. A ação pedia inicialmente o bloqueio de R$ 800 milhões. No entanto, o juiz afirmou na ocasião que, "caso se justificasse a manutenção da liminar, haveria motivo para a redução considerável de seu valor".

Em decisão divulgada pela 5ª Vara Federal Cível, em São Paulo, em julho, David afirmou que foi induzido a erro sobre o valor do lucro supostamente ilícito obtido com a operação. No texto, ele se corrigiu afirmando que a suposta negociação consistiria na compra de dólares com R$ 1 bilhão, o que geraria uma vantagem econômica de cerca de R$ 80 milhões (e não de R$ 800 milhões), tendo em vista a variação de cerca de 8% do valor da moeda norte-americana após a delação do empresário. "Portanto, equivoquei-me no ponto quando da concessão da liminar", disse. (Camila Turtelli - camila.turtelli@estadao.com)
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