Agronegócios
20/01/2022 09:40

Conab: batata teve oferta recorde nas Ceasas em dezembro; cebola permaneceu com preços elevados no mês


Por Sandy Oliveira

São Paulo, 20/01/2022 - No mês de dezembro, a batata apresentou oferta recorde nas Centrais de Abastecimento (Ceasas), o que proporcionou a queda de preços em quase todos os mercados atacadistas analisados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A informação é do no 1º Boletim Prohort de Comercialização de Hortigranjeiros nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) 2022, divulgado nesta quinta-feira (20). No período, as cotações do produto recuaram cerca de 36,86% em Curitiba (PR), por exemplo.

Em contrapartida, a cebola permaneceu com preços elevados em todas as Ceasas no mês de dezembro. Os aumentos ultrapassaram a marca dos 30% pelo menos em três mercados atacadistas: Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF).

Já no caso das frutas, a melancia registrou queda nos preços, em virtude da maior oferta do produto no último mês. Como a demanda segue regular, com as chuvas e o efeito de substituição, apesar de menor, por outras frutas típicas de fim de ano, como ameixa e pêssego, o volume foi bem absorvido no varejo, diz o boletim. “Houve queda da produção em Marília (SP) e na colheita de Porto Seguro (BA), devido às chuvas abundantes na região baiana, o que provocou a diminuição dos carregamentos pelas dificuldades logísticas, e comprometeram a qualidade de algumas frutas na primeira quinzena do mês”, explica a gerente de Estudos do Mercado Hortigranjeiro da Conab, Joyce Fraga. O que garantiu o aumento da oferta foram os envios vindos das regiões paulistas de Araraquara, Itapetininga e Presidente Prudente, além das melancias provenientes de São Jerônimo, no Rio Grande do Sul, acrescenta.

Apesar da melancia estar com o melhor preço, a banana e o mamão registraram alta nas cotações. “O aumento dos preços da banana foi causado pela menor produção da variedade prata, por problemas climáticos, e pelas exportações, que continuaram aquecidas”, observa o boletim. No caso do mamão, além da queda na oferta, principalmente da variedade formosa, houve aumento no valor dos insumos para a produção, doenças fúngicas em decorrência das chuvas e as exportações, que aumentaram novamente.

Balanço 2021 - O cultivo de alface em 2021 foi caracterizado, principalmente, pelo desestímulo do produtor em quase todo o período. A rentabilidade da cultura, mesmo quando os preços estiveram em alta ou em níveis satisfatórios, foi limitada pelo aumento dos custos de produção. Já a batata não passou por altas repentinas, uma vez que as cotações começaram o ano em queda, mantendo certa constância de março a setembro, e só tiveram tendência de aumento no último trimestre em virtude das geadas ocorridas na metade do ano, que afetaram a safra de inverno.

Quanto à cebola, o produtor conseguiu remuneração positiva nas três últimas safras, segundo o boletim. “Na safra atual, que está em processo de colheita e comercialização, até o momento, os preços são remuneradores para quem cultiva o bulbo, mesmo com a alta dos custos de produção”, ressalta o superintendente de Estudos Agroalimentares e da Sociobiodiversidade da Conab, Marisson Marinho. “Essa variação dos custos age como fator de pressão para a elevação dos preços, posicionando-os nos patamares atuais.”

O estudo destaca ainda a oferta de cenoura nos mercados atacadistas em 2021, superior em 3% à verificada em 2020. O tomate não mostrou altas expressivas no ano, inclusive apresentou queda de preços ocasionais, o que levou à retração dos investimentos por parte do produtor, que optaram por outros cultivos mais remuneradores, de acordo com o levantamento.

No caso das frutas, o ano de 2021 foi marcado pela alta de preços da banana, especialmente em decorrência do volume reduzido em comparação com 2020 da variedade nanica por conta de problemas climáticos nas principais áreas produtoras. Já a laranja teve curva de preços regular nas Centrais de Abastecimento, enquanto o mamão esteve quase sempre com preços mais altos, tanto a variedade formosa quanto o papaia.

Contato: sandy.oliveira@estadao.com
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