Agronegócios
27/11/2017 08:25

Perspectiva: mercado de grãos continua atento ao clima na América do Sul


São Paulo, 27/11/2017 - Investidores do mercado futuro de soja, milho e trigo na Bolsa de Chicago (CBOT) devem começar a semana atentos ao clima na América do Sul, após o esvaziamento do mercado no fim da semana passada por causa do feriado de Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos. Na quinta-feira, a CBOT permaneceu fechada, e na sexta-feira, teve pregão mais curto, com volume de negócios reduzido. A demanda externa por grãos norte-americanos também deve continuar sendo monitorada, assim como a possibilidade de ocorrência do fenômeno climático La Niña.

A soja recuou na sexta-feira, pressionada por dados de vendas externas dos Estados Unidos abaixo da expectativa do mercado e por uma previsão de clima um pouco mais úmido na Argentina, embora as condições climáticas no país ainda preocupem. O vencimento janeiro recuou 4,00 cents (0,40%) e terminou em US$ 9,9325 por bushel. Na semana, o ganho foi de 0,28%. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), exportadores do país venderam 869.100 toneladas de soja da safra 2017/18 na semana encerrada em 16 de novembro. O resultado foi o mais baixo registrado até o momento no ano comercial. Para a safra 2018/19, foram reportadas vendas de 34.500 toneladas. As vendas totais, de 903.600 toneladas, ficaram abaixo das estimativas de analistas, que esperavam um volume de pelo menos 1 milhão de toneladas. Em relatório semanal, a corretora Labhoro destacou que as vendas acumuladas de soja norte-americana da safra 2017/18 estão 17% abaixo de igual período do ano passado, ou 6,91 milhões de toneladas atrasadas. A corretora Granoeste, em relatório diário, destacou que "o mercado manteve certa postura defensiva diante das fracas exportações semanais" depois do feriado de Ação de Graças nos EUA. "Os participantes, no entanto, continuam focados no comportamento climático da América do Sul."

O plantio de soja na Argentina avançou 10,2 pontos porcentuais em uma semana, para 34% da área prevista, contra 33,7% em igual período de 2016, conforme boletim da Bolsa de Cereais de Buenos Aires. "As chuvas ocorridas durante os dias anteriores no centro da região agrícola repuseram umidade na superfície e promoveram a incorporação de lotes, enquanto que no sul o clima seco permitiu avançar com o plantio em áreas afetadas por inundações", apontou a bolsa. De acordo com o boletim da Labhoro, para a Argentina, eram esperadas melhores chances de chuva para as áreas produtoras de La Pampa, sul e norte de Córdoba, centro-norte de Santa Fé e de Entre Rios, enquanto Buenos Aires e sul de Santa Fé ainda registrariam tempo seco. No Brasil, o plantio da safra de soja 2017/18 atingiu 84% da área total estimada, apontou levantamento da consultoria AgRural divulgado na sexta-feira. O número representa avanço de 11 pontos em uma semana, supera os 83% de um ano atrás e é maior que os 79% da média de cinco anos. "De um modo geral, o plantio avança sem maiores percalços e as lavouras se desenvolvem bem em todo o País", disse a AgRural. Segundo a consultoria, a redução das chuvas no Matopiba e as temperaturas mais baixas no Sul do País não chegam a comprometer o ritmo da semeadura nem o potencial produtivo das lavouras.

Quanto ao milho, os futuros fecharam em queda na CBOT na sexta-feira. Os preços do grão foram influenciados pelo desempenho do trigo, que recuou 1,4%. Os dois produtos são substitutos diretos em ração animal e, por isso, tendem a se mover na mesma direção. O vencimento março do milho cedeu 2,00 cents (0,56%) e fechou em US$ 3,55 por bushel. Contudo, na semana, o milho teve ganho de 3,50%. Números de vendas externas dos EUA vieram perto do piso das estimativas de analistas e também pressionaram as cotações. De acordo com o USDA, exportadores venderam 1,08 milhão de toneladas de milho norte-americano da safra 2017/18 na semana encerrada em 16 de novembro. O resultado representa aumento de 14% ante a semana anterior mas queda de 20% na comparação com a média das quatro semanas anteriores. Para a safra 2018/19, foram comercializadas 25.500 toneladas. A soma de ambas as safras, de 1,106 milhão de toneladas, ficou dentro do intervalo previsto pelo mercado, de 900 mil a 1,6 milhão de toneladas.

O trigo fechou em baixa na sexta-feira, refletindo dados de vendas externas dos EUA que ficaram abaixo da expectativa do mercado. De acordo com o USDA, exportadores venderam 200.500 toneladas de trigo das safras 2017/18 e 2018/19 na semana passada. Analistas consultados pela Dow Jones esperavam vendas de pelo menos 350 mil toneladas. Na CBOT, o trigo para março recuou 6,00 cents (1,36%) e fechou em US$ 4,3475 por bushel. A queda na semana foi de 1,97%. Com relação ao clima nos EUA, áreas produtoras de trigo de inverno no sul das Grandes Planícies devem continuar enfrentando condições quentes e secas até o fim de novembro, conforme o serviço meteorológico DTN.

Café: contratos sobem 0,24% na semana
Os contratos futuros de café arábica acumularam valorização de cerca de 0,24% na semana passada na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), base março de 2018. Os contratos de arábica subiram 30 pontos no período em Nova York. As cotações encerraram na sexta-feira (24), a 127,55 centavos de dólar por libra-peso. No período, os contratos marcaram máxima de 130,40 cents (sexta, dia 24) e mínima de 124,85 cents (segunda, dia 20).

O Escritório Carvalhaes, tradicional corretora de Santos (SP), destaca em boletim semanal que a imagem e o consumo mundial de café estão na melhor fase de sua longa história, conquistando milhares de novos consumidores ano após ano, enquanto a cadeia produtiva brasileira, responsável por aproximadamente 35% da produção mundial de café, passa por uma fase dificílima, com ganhos apertados e, em muitos setores, acumulando prejuízos.

Carvalhaes ressalta, ainda, que, durante a abertura do 25º EnCafé, tradicional encontro anual promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), que congrega as indústrias de café do segundo maior mercado consumidor do mundo, o brasileiro José Sette, diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), afirmou que o Brasil, maior produtor e exportador global de café, terá de elevar a sua produção em cerca de 40% ou 20 milhões de sacas de 60 kg até 2030, para manter a atual participação dominante na safra mundial.

Estudo da Euromonitor, encomendado pela Abic e apresentado no 25º EnCafé, estima que as vendas de café no Brasil devem crescer 3,3% este ano, avanço semelhante ao de 2016. As vendas de café no varejo e no food service do país devem somar 22,291 milhões de sacas. Para 2018, o estudo projeta novo aumento nas vendas de café, de mais 3,4%. Até 2021, os volumes chegariam a 25 milhões de sacas, com taxa média anual de crescimento de quase 3,5% entre 2016 e 2021, comenta Carvalhaes.

Açúcar: mercado pode testar novamente resistência a 15,50 cents
O mercado futuro do açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) começa esta semana exatamente como iniciou a passada: em uma nova tentativa de romper a importante resistência de 15,50 cents por libra-peso no contrato março. No entanto, a segunda-feira e a terça-feira da semana anterior foram marcadas por realizações, o que também não pode ser descartado hoje, com a retomada do cenário positivo nos dias seguintes.

Na sexta-feira (24), em pregão esvaziado após o feriado de Ação de Graças, o mercado seguiu altista. Mas os negócios esbarraram na resistência técnica e atingiram a máxima de 15,49 cents. No fechamento, o vencimento subiu 17 pontos (1,11%) e terminou em 15,45 cents. "Essa resistência de 15,50 cents é muito importante porque traz fixação do Brasil e limita novas altas", disse um operador.

(Leticia Pakulski, Tomas Okuda e Gustavo Porto - leticia.pakulski@estadao.com; tomas.okuda@estadao.com e gustavo.porto@estadao.com)
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