Economia & Mercados
21/01/2022 10:57

Aumento da diversidade precisa de ações intencionais, diz diretor de RH do BNP Paribas


Por Karla Spotorno

São Paulo, 20/01/2022 - É preciso ter intenção. A presença maciça de homens no mercado financeiro - sobretudo nas áreas de negócios e na operação - só será equilibrada com mais mulheres a partir de esforços e ações intencionalmente executadas. É assim que a direção do BNP Paribas encara o desafio de aumentar a participação delas nos diferentes níveis e cargos dentro do banco.

Nos últimos anos, o banco comemora alguns resultados. Houve um aumento de mulheres em cargos de gestão. Em 2018, elas ocupavam 29% dessas vagas. Hoje, já são 40%.

Na base, os esforços também começaram a aparecer. Cerca de dois terços dos participantes do programa de estágio do grupo no Brasil são mulheres. E o programa Dn'A Women - criado juntamente com o Deutsche Bank, UBS e Goldman Sachs em 2019, quando as quatro instituições eram presididas, no Brasil, por mulheres - também já deu oportunidade e formou 200 estudantes para atuar no setor financeiro.

Os números do BNP mostram, contudo, que a jornada ainda é longa. Hoje aproximadamente um quinto das cadeiras do comitê executivo, formado por 26 gestores das diferentes áreas do BNP no Brasil, é ocupado por mulheres. Um passo para aumentar a participação delas nesse fórum de tomada de decisão é preparar mulheres para concorrer nos processos de sucessão no futuro. Rovina conta que há até uma meta para isso. Em 2025, o banco quer ter candidatas prontas para todas os cargos executivos que venham a ficar vagos.

Além de metas como essa, o BNP também participa de alguns movimentos globais que, de alguma forma, instigam a maior presença de mulheres. Um deles é o Jamais Sans Elles, de que a direção da filiam brasileira tornou-se signatária há um ano, junto a lideranças regionais em outros 14 países. A iniciativa é basicamente declinar de convites de eventos nos quais não há ou há proporcionalmente poucas painelistas mulheres.

Programa de estágio somente para negros

Não apenas a diversidade de gênero pauta o mercado financeiro, segundo Rovina. A questão racial também desafia empresas como o BNP, visto que pretos e pardos são minoria nas instituições, como pontua o executivo do BNP Paribas. Em dezembro de 2021, 5% dos cargos de gestão estavam ocupados por profissionais que se autodeclaram pretos e pardos. Em janeiro de 2018, esse porcentual era de 2,8%. No quadro geral da filial brasileira, apenas 19% eram negros. Em 2018, eram 15%.

E é pela base que o banco quer acelerar o aumento de não brancos no seu quadro. Por conta disso, o BNP lança, em fevereiro, uma iniciativa para enfrentar outro desafio - ainda maior - na diversidade: a baixa participação de pretos e pardos no quadro de funcionários.

Será um programa de estágio exclusivo com sete vagas para "não brancos". Nada impede que esses mesmo candidatos concorram a outras vagas no programa de estágio regular. "Nesse programa exclusivo, queremos trazer apenas pretos e pardos com a ideia de contribuir na formação dessas pessoas para fazerem carreira no mercado financeiro", diz Rovina.

O executivo entende que ações como essa são polêmicas. "A gente vê o que as empresas já sofreram com esse tipo de programa", afirmou o diretor de RH. No último trimestre de 2020, o Magalu foi duramente criticado na rede por abrir um programa de trainee somente para negros. "Mas sem a intenção, sem uma ação intencional, não vamos ver mudança", diz Rovina.

Top Employer

O BNP Paribas no Brasil recebeu hoje uma certificação internacional por boas práticas em gestão de pessoas, concedida pelo Top Employers Institute. "Foram avaliadas 450 práticas e depois a empresa passa por uma auditoria", afirma Renato Rovina, diretor de RH do BNP Paribas Brasil.

Na Europa, as filiais do BNP em sete países também receberam o selo neste ano, o nono seguido da certificação. Na América Latina, o banco em outros três países - Argentina, Colômbia e México - também conseguiu o certificado em 2022, o que gerou o selo regional para o grupo francês.

Contato: karla.spotorno@estadao.com
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