Economia & Mercados
13/05/2022 13:57

Especial: Em meio à expectativa sobre resultados, Inter dá mais um passo rumo à Nasdaq


Por Matheus Piovesana

São Paulo, 12/05/2022 - O Banco Inter deu mais um passo para migrar sua listagem da B3 para a Nasdaq, embora o momento seja pouco auspicioso para teses de tecnologia aqui ou lá fora. O Nubank considerado por analistas par do Inter, perde mais de 57% na Bolsa de Nova York neste ano, e o mercado aguarda pelos resultados de ambos para entender se a queda encontra respaldo nas tendências operacionais.

Em assembleia extraordinária nesta quinta-feira, detentores de 55% do capital do Inter votaram a favor da mudança de listagem, anunciada pela companhia no ano passado como um passaporte para a internacionalização das operações.

Se a migração de fato ocorrer, o Inter passará a ser listado na Nasdaq através de uma holding, em modelo semelhante ao do Nubank, e terá Brazilian Depositary Receipts (BDRs) na B3.

Neste ano, os papéis do Inter caem 49% na B3, diante da alta dos juros, que fechou uma importante fonte de captação de recursos para a expansão do banco - as ofertas de ações. Mas os fatores operacionais também têm pesado. Na prévia operacional publicada em abril, analistas enxergaram uma desaceleração das concessões de crédito e, ao mesmo tempo, índices de inadimplência que desagradaram.

À época, o BTG Pactual comentou que os números permitiam antever um retorno sobre o patrimônio "praticamente zero" para o Inter no balanço do primeiro trimestre, que será divulgado na próxima semana. "Dado que os investidores focam cada vez mais em entender como e quando o Inter se tornará mais rentável, acreditamos que a reação de mercado à desaceleração do crédito do Inter e a alta na inadimplência estão longe de ser boas", afirmou a casa.

O BTG destacou, ainda, que diante das menores chances de captação de recursos via mercado, o Inter dependerá mais dos próprios resultados para sustentar o crescimento da carteira de crédito e da base de clientes. "Em nossa visão, para que o papel reaja, o Inter precisa explicar essa 'ponte para a rentabilidade' de forma mais clara, mostrando como pretende atingir um ROE que sustentará seu crescimento."

Como mostrou o Broadcast na semana passada, analistas de mercado esperam que o Inter deve ter lucro líquido de R$ 10 milhões, queda de 52% em um ano, já sob efeito da deterioração da qualidade dos ativos.

Redesenho

Em dezembro do ano passado, a primeira tentativa de mudança esbarrou em um alto volume de pedidos de resgate, além do limite de R$ 2 bilhões estabelecido pelo banco digital. À época, o preço de resgate muito superior ao de tela estimulou a opção pelo dinheiro, e forçou o Inter a redesenhar as condições da operação.

Agora, só poderão pedir a saída acionistas que já estivessem na base do banco em 15 de abril. O preço de resgate, de R$ 19,35, é 35% superior à cotação de fechamento do Inter nesta quinta-feira, mas o teto é menor: quem pedir para sair terá de dividir R$ 1,1 bilhão. Se os pedidos excederem este valor, parte do pagamento será em BDRs. Ou seja, a saída pode não ser completa.

O CEO do banco, João Vitor Menin, manifestou otimismo com a mudança de endereço. "A migração das nossas ações para a Nasdaq vai fortalecer nosso posicionamento como uma empresa de tecnologia global, além de nos dar acesso ao mercado de capitais mais maduro do mundo e abrir fontes de receitas à medida que a empresa continua seu sólido ritmo de crescimento", disse ele, em nota à imprensa.

Contato: matheus.piovesana@estadao.com
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