Economia & Mercados
02/12/2019 13:41

Febraban/Portugal: desejo é de que queda dos juros aconteça em produtos como cheque especial


Por Aline Bronzati, Cynthia Decloedt, André Ítalo e Bárbara Nascimento

São Paulo, 02/12/2019 - O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, afirmou que o setor bancário “deseja” que a queda de juros vista em produtos de crédito com garantias atreladas também seja possível em linhas mais arriscadas como, por exemplo, o cheque especial. As novas medidas anunciadas na semana passada pelo Banco Central que limitaram os juros mensais da modalidade em 8% ao mês e liberaram a cobrança de tarifas, de acordo com ele, devem permitir esse movimento.

“Nosso desejo é que as quedas de juros continuem na ponta para o tomador de crédito, especialmente aqueles produtos que ainda são muito altos como é o caso do cheque especial. Estamos confiantes de que essas quedas acontecerão com as medidas para diminuir os subsídios cruzados recém-anunciadas pelo Banco Central e de autorregulação que a Febraban vem adotando”, disse ele, em tradicional almoço de fim de ano dos bancos.

Na semana passada, após a divulgação das medidas, a Febraban criticou as medidas. Disse, em uma nota curta, que a adoção de limites oficiais e tabelamentos de preços de qualquer espécie no setor bancário é preocupante.

Portugal aproveitou a presença do presidente do Banco Central, Roberto Campos, e de parlamentares para cobrar um maior enfrentamento de custos em torno da atividade de emprestar e que não se resolvem apenas com maior concorrência. Dentre eles, conforme o presidente da Febraban, estão gastos associados à inadimplência, carga tributária elevada e encargos administrativos regulatórios.

Apesar das mudanças no cheque especial terem desagrado os bancos que classificaram as medidas como tabelamento de juros e dos riscos no cenário externo, Portugal afirmou que há razões para ser otimista quanto ao futuro. Enfatizou, contudo, desafios a serem resolvidos no cenário doméstico.

Para o presidente da Febraban, o novo ciclo de crédito será mais eficiente uma vez que tem os bancos privados na liderança da oferta ao contrário do anterior, no qual a queda dos juros foi puxada pelas instituições públicas na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff. “A queda de juros tem sido repassada aos consumidores. Ao contrário outro ciclo de crédito, esse por ser sob liderança dos bancos privados, será mais eficiente”, destacou ele.

Portugal lamentou ainda tragédias que ocorreram no Brasil este ano e no mundo como o acidente da mineradora Vale em Brumadinho, Minas Gerais, a crise no vizinho Argentina e a desaceleração da economia e do comércio global, que diminuíram as exportações e os preços das commodities no País. “Chegamos no fim 2019 com a esperança fundada de dias melhores. A economia no fim do terceiro trimestre mostrou sinais de desaceleração que estão se confirmando no quatro trimestre, o que levou analistas a revisarem para cima estimativa de crescimento do PIB este ano”, disse, mencionando ainda a queda da inflação, cujas expectativas estão “firmemente ancoradas” e a Selic no menor patamar histórico.
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