Economia & Mercados
14/01/2022 14:12

Exclusivo: Importador em 2021, Brasil entra 2022 exportando energia para Argentina


Por Wilian Miron e Denise Luna

São Paulo e Rio, 13/01/2022 - Depois da pior crise hídrica em 91 anos, o Brasil, quem diria, está exportando energia para a Argentina, informou ao Broadcast Energia o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Luiz Ciocchi, em entrevista para o Energia em Debate. Segundo ele, no início desta semana, a Argentina solicitou a importação de 300 megawatts (MW), no dia seguinte, 500 MW, e agora o pedido subiu para 1 mil MW, que foram fornecidos durante algumas horas para o país vizinho.

“Apesar da ajuda que a gente deu, não foi possível segurar alguns incidentes, não foi suficiente por algum outro problema estrutural da Argentina, um problema de ponta por causa do calor” disse Ciocchi, que no ano passado importou muitas vezes eletricidade do País vizinho para garantir o abastecimento no Brasil. “Uma das coisas que funciona bem aqui nesse Cone Sul é a integração energética Brasil-Argentina-Uruguai”, afirmou.

Da mesma forma como ocorreu com o Brasil no ano passado, a Argentina pediu hoje às empresas que consumam menos energia, a fim de evitar apagões como ocorreram na última terça-feira, que deixou mais de 700 mil argentinos sem energia. Mas, de acordo com Ciocchi, a crise argentina é bem diferente da que o País atravessou em 2021, afetado pela crise hídrica.

“A situação que a Argentina viveu recentemente não tem as mesmas características que vivemos aqui, que foi uma crise mais estrutural, do ponto de vista de que foi uma crise hídrica. O problema na Argentina foram as altíssimas temperaturas, que fizeram o consumo de ar condicionado sair fora da curva, um pico enorme de consumo de energia", explicou, observando que também houve um problema na operação de uma usina, mas que não tem detalhes.

O intercâmbio energético entre Brasil, Argentina e Uruguai vem sendo utilizado há muito tempo com sucesso pelos três países, afirmou Ciocchi, e, assim como no ano passado, os dois países poderão voltar a exportar energia para o Brasil este ano, no período seco (abril a outubro), já que a crise na Argentina é pontual.
“Esse intercâmbio, essa importação e exportação são absolutamente corriqueiras, e ambos os países, o Uruguai com menos intensidade, podem ser acionados a qualquer momento, estamos sempre em contato”, informou.

Contato: denise.luna@estadao.com; wilian.miron@estadao.com
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