Economia & Mercados
14/01/2022 14:16

Especial: Juros no financiamento de veículos têm maior aumento desde 2008


Por Eduardo Laguna

São Paulo, 14/01/2022 - Junto com a disparada dos preços, o consumidor está se deparando com um avanço incomum das taxas cobradas pelos bancos na hora de buscar financiamento à compra de automóveis. Depois de descerem de escada, os juros praticados no segmento estão subindo de elevador, devolvendo toda a baixa do ciclo anterior que, em quatro anos e meio, derrubou a taxa para 18,6% ao ano.

De volta ao nível dos primeiros meses de 2016, os financiamentos de veículos são concedidos agora com juros anuais de 27,5%, conforme as estatísticas de crédito do Banco Central (BC), cujos últimos dados são relativos a novembro. Em 12 meses, a taxa subiu 8,5 pontos porcentuais, uma alta que não se via desde novembro de 2008.

Trata-se, assim, da maior escalada de custo do financiamento automotivo em 13 anos, alimentada tanto pela subida dos juros de referência, a Selic, quanto pelo maior risco de crédito de uma economia em desaceleração e com mais famílias não apenas endividadas como também com maior parcela da renda comprometida.

Analistas avaliam que as condições financeiras mais restritivas tendem a moderar a demanda por automóveis, ao mesmo tempo em que a redução dos gargalos de produção, mesmo que não seja completa, pode permitir alguma recomposição dos estoques nos pátios das concessionárias ao longo do ano.

Assim, com consumo e oferta começando a convergir a um ponto de equilíbrio, o preço dos carros deve voltar a acompanhar a trajetória da inflação média dos bens consumo, da qual se descolou em 2021. No ano passado, a alta de 16,1% do automóvel novo superou com folga os 10,1% marcados no IPCA.

"Para 2022, esperamos ainda desafios no início do ano, mas desaceleração na tendência de alta dos preços a partir do segundo trimestre, uma vez que as cotações das matérias-primas já estão em patamar mais estável e a produção de veículos voltou a acelerar nos últimos dois meses", comenta Gabriela Joubert, analista-chefe do banco Inter.

Se confirmada, a acomodação da demanda também pode pressionar os bancos de montadoras a subsidiar taxas para reduzir o custo do financiamento, avalia o consultor Cassio Pagliarini, da Bright Consulting. "A taxa de juros está cada vez maior e as montadoras podem ser obrigadas a subsidiar alguma coisa para reduzir um pouco o custo dos financiamentos", afirma o especialista, que também aposta em pressão contra os preços a partir da melhora nos estoques de carros.

Contato: eduardo.laguna@estadao.com
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