Economia & Mercados
23/10/2020 18:10

Especial: Arezzo compra Reserva e mantém dinheiro em caixa para movimentos de menor magnitude


Por Talita Nascimento, com colaboração de Matheus Piovesana

São Paulo, 23/10/2020 - A Arezzo anunciou nesta sexta-feira a compra da Reserva. A negociação envolveu o pagamento à vista de R$ 175 milhões e mais R$ 50 milhões daqui um ano. Os outros R$ 490 milhões serão pagos em ações. A compra soma assim R$ 715 milhões. A empresa diz que o financiamento foi feito pelo próprio caixa da companhia, sem a necessidade de contrair uma nova dívida. Assim, segundo a diretora de Relações com Investidores da companhia, Aline Penna, "há colchão para outros movimentos que não devem ser dessa magnitude". De acordo com dados do segundo trimestre deste ano, a companhia teria cerca de R$ 500 milhões em caixa, o que dá e sobra para arcar com esse primeiro pagamento.

O presidente da Arezzo, Alexandre Birman, diz que o movimento se trata de uma incorporação e da criação de um novo braço. A Reserva passa a se chamar Ar&Co e os executivos do primeiro escalão têm lugar cativo na companhia. "Tecnicamente é uma compra, mas, de fato, não é. Porque os gestores, fundadores e sócios são automaticamente sócios e líderes da Arezzo&Co. Com autonomia grande no vestuário e no lifestyle", disse ao Broadcast.

Dentre os planos para o novo núcleo está expandir o modelo de franquias para as marcas da Reserva. "A geração de caixa faz parte do nosso modelo de negócios. Não precisamos de capital intensivo para crescimento. Isso a gente pretende manter e adicionar através de crescimento de franquias no grupo Reserva", diz Birman.

O Grupo Reserva conta hoje com 78 lojas próprias e 32 franquias, além de estar presente em 1,5 mil multimarcas. Em 2019, o Grupo Reserva faturou R$ 400 milhões. Durante a crise, a empresa viu seu faturamento cair 75% com o fechamento das lojas. Já em junho, o sócio fundador Rony Meisler diz que voltou a vender próximo aos 100% em relação aos números de 2019, atingindo cerca de 120% nos meses seguintes. Após a conclusão da transação, a agora AR&Co terá Meisler como CEO da operação.

Quanto à lenta recuperação do setor de vestuário, indicada por analistas, Birman afirma que os números do terceiro trimestre da Arezzo devem mostrar uma realidade diferente. "Nossa recuperação está em linha com o que havíamos previsto, principalmente quando olhamos a questão omnichanel (multicanalidade)", afirma. Um relatório recente do banco Citi reduziu as estimativas de vendas para 2021 e 2022 da companhia "em função da recuperação mais lenta das lojas", o texto dizia que não se esperava que o e-commerce em ascensão compensasse essa lenta retomada. Ainda assim, o crescimento das vendas digitais foi ressaltado.

Para o analista da Necton, Gabriel Machado, o movimento de incorporação da Reserva é acertado. Ele ressalta a posição saudável de caixa da empresa e diz que a Arezzo está com "bom apetite". Nesse sentido, o lançamento oficial do marketplace do grupo, previsto para daqui a três semanas, é outro caminho importante para cumprir a ambição da companhia de se tornar um ecossistema de moda do segmento premium.

Para o Credit Suisse, a compra também é interessante. Os analistas Victor Saragiotto e Pedro Pinto comentam que a aquisição mostra que a Arezzo persegue uma estratégia clara de crescimento: a de expandir seu portfólio de marcas para se tornar uma "casa" de diferentes nomes, consolidando o mercado de vestuário direcionado a clientes de maior renda. "Isso poderia criar uma avenida de crescimento para a Arezzo &Co no mercado doméstico, diversificado seu mercado endereçável, principalmente à luz de sua participação já alta no segmento de calçados femininos de preço elevado", escrevem.

Contato: talita.ferrari@estadao.com
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