Economia & Mercados
03/06/2021 12:00

KPMG: Setor de energia vai se recuperar da covid, mas terá de transformar negócio


Por Matheus Piovesana

São Paulo, 03/06/2021 - Após o impacto inicial da pandemia da covid-19, o setor brasileiro de energia está em etapa que sinaliza que as empresas viverão uma retomada, mas que ela deve demorar mais que em outros segmentos da economia e exigirá uma transformação nos negócios. As conclusões estão no relatório "Tendências e a nova realidade - 1 ano de covid-19", da KPMG, que analisa os estágios de retomada dos 40 principais setores da economia brasileira.

De acordo com o documento, nove tendências devem definir os rumos do setor no País no futuro. Uma delas é a maior atenção ao impacto da mudança do regime de chuvas sobre a geração hidrelétrica, responsável pela maior parte da energia consumida no Brasil.

Na última semana, o governo emitiu um alerta de emergência hídrica pelo baixo nível dos reservatórios na Bacia do Rio Paraná, uma das mais importantes do sistema, e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) elevou para o nível 2 a bandeira vermelha das tarifas de energia. O governo tem estudado medidas para evitar um racionamento nos próximos meses.

A KPMG destaca ainda que avanços regulatórios que facilitem a transição energética, a aceleração da empreendimentos renováveis para manter subsídios e avanços em processos de privatização são tendências a se observar no setor de energia. Além disso, a consultoria acredita que a geração distribuída tende a ser impulsionada por definições regulatórias e pelo impacto cambial, e que as exigências ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) devem estimular a adoção de fontes renováveis de energia.

O relatório também ressalta que a segurança cibernética deverá entrar na pauta das empresas do setor, assim como a obsolescência do parque de ativos de transmissão. Segundo a KPMG, outra tendência será a da sofisticação dos processos de comercialização, com o PLD (preço de liquidação das diferenças) horário e o amadurecimento do mercado de derivativos.

A consultoria elencou ainda sete pontos que devem se tornar prioridade para que o setor tenha uma retomada sintonizada à nova realidade do mercado de energia elétrica. A abertura e expansão do mercado livre encabeça a lista, seguida pela digitalização da gestão das empresas e o uso analítico de dados.

Ainda no âmbito operacional, a KPMG acredita que as empresas deverão adotar estratégia "lean", que prioriza o aumento de eficiência, algo importante em especial para as grandes geradoras de energia. Além disso, os novos colaboradores precisarão ter perfil analítico e visão de mercado, e a preocupação com riscos cibernéticos ou de negócio, ligados às questões ESG, terá de entrar na pauta.

A KPMG também considera que as empresas terão de buscar novas formas de financiamento para fortalecerem seu parque de energias renováveis, dependendo menos dos bancos de fomento. Por fim, a consultoria alerta para a mudança de hábito dos consumidores, cada vez mais preocupados com a eficiência energética e mais dispostos a participar do mercado livre de energia.

Panorama

Para a KPMG, o setor de energia elétrica está no mesmo estágio dos segmentos de óleo e gás, açúcar e etanol, mineração e metais, gestão de recursos e governos federais e estaduais, entre outros. Todos terão uma retomada no futuro, mas terão de transformar seu modelo de negócio para chegar até lá.

A consultoria acredita que setores como o de agronegócio, telecom, varejo online, alimentos e bebidas, supermercados e tecnologia não apenas retomaram, mas ultrapassaram o patamar em que estavam antes da pandemia. Já saúde, pagamentos, bens de consumo cíclicos e bancos voltaram ao normal, no mesmo nível de antes.

Já outros segmentos do varejo, a aviação, o ensino superior, aeroportos e a indústria estão no estágio "reiniciar": lutam para se recuperar dos impactos da covid, e têm acesso insuficiente a capital para atravessar uma recessão prolongada.

Contato: matheus.piovesana@estadao.com
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