Economia & Mercados
22/02/2021 12:29

CBIC/Martins: teremos reunião com Min/Economia e outros órgãos do governos sobre materiais


Por Circe Bonatelli

São Paulo, 22/02/2021 - A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) vai se reunir nesta semana com o Ministério da Economia e outros representantes do governo federal para discutir o aumento no preço dos materiais, seus impactos para o setor e propor alternativas para reduzir esses impactos nos contratos de obras públicas.

O foco da discussão serão os canteiros da antiga faixa 1 do Minha Casa Minha Vida (MCMV) - segmento destinado às famílias com renda de até R$ 1,8 mil e que contava com subsídios de até 90% por unidade. Sem recursos na crise fiscal dos últimos anos, muitos empreendimentos permaneceram inacabados.

Desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, esses canteiros vem sendo retomados aos poucos. No ano passado, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) liberou R$ 425 milhões para a continuidade das obras de 301 mil moradias para famílias atendidas pela faixa 1. O presidente da CBIC, José Carlos Martins, afirmou que as obras retomadas estão com apenas 10% a 15% de evolução, aproximadamente, e serão bastante afetadas pelo alta no custo dos insumos.

Segundo Martins, a reunião servirá para expor a situação dessas empresas e tentar "sensibilizar" os representantes do governo federal para as consequências do aumento expressivo dos materiais. "Vamos demonstrar o risco que isso traz para toda a economia", disse, mencionando o risco de prejuízo às empresas, demissões de trabalhadores e uma possível onda de discussões dos contratos na Justiça.

A ideia da reunião é propor uma "racionalização" ao governo. "Vamos colocar o problema e discutir formas de minorar essa situação". Segundo ele, as potenciais soluções vão desde reequilibrar os valores dos contratos, ampliar os prazos de entregas das obras, discutir impostos sobre importação, entre outros. "Há uma série de coisas que podem ser feitas. Cada uma delas tem uma consequência. Vamos verificar o que pode ser construído", explicou.

O vice-presidente da divisão de Indústria Imobiliária da CBIC, Celso Martins, afirmou que os preços dos materiais de construção continuam subindo no começo deste ano, ao contrário do previsto pelas construtoras. "Não esperávamos esse aumento desmesurado", afirmou.

O desabastecimento e a elevação dos preços foi percebida pela primeira vez na metade do ano passado, após o fim do ápice da quarentena, que provocou a paralisação de muitas fábricas. Com a demanda aquecida nos meses seguintes, a indústria levou algum tempo pare reorganizar sua cadeia produtiva. A expectativa, portanto, era de normalização na virada desde ano, o que não aconteceu.

O Índice Nacional da Construção Civil (INCC/Sinapi), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu 1,99% em janeiro, mostrando aceleração após um avanço de 1,94% em dezembro de 2020. A taxa acumulada em 12 meses foi de 12,01%.

As principais altas foram vistas em itens como aço, cimento, PVC, fios de cobre e blocos cerâmicos - bastante demandados nas etapas iniciais das obras. O presidente da CBIC acrescentou que vai se reunir com representantes das indústrias para entender os motivos do aumento dos preços e pedir mais previsibilidade nesses reajustes.

Contato: circe.bonatelli@estadao.com
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