Economia & Mercados
07/04/2021 07:50

Caixa Seguridade confirma IPO e tem demanda para oferta que pode girar até R$ 6,5 bi


Por Aline Bronzati

São Paulo, 06/04/2021 - A Caixa Seguridade, holding de seguros do banco, já teria recebido demanda de investidores que buscam espaço em sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), de até R$ 6,5 bilhões, apurou o Broadcast. Ainda que pese um ambiente desafiador para estatais no País, após os episódios envolvendo a Petrobras e o Banco do Brasil, o banco público, que controla o negócio, optou por oferecer uma fatia menor ao mercado na largada para, no futuro, capturar mais valor em uma nova venda, a exemplo do que fez com o banco Pan (ex-Panamericano), que foi desinvestido em fases.

As informações, antecipadas pelo Broadcast, foram confirmadas hoje, em prospecto atualizado do IPO da Caixa Seguridade, parte do chamado segundo filing, no jargão de mercado. Nele, a holding informou o preço que topa vender suas ações, de R$ 9,33 a R$ 12,67, e uma fatia menor, que pode chegar a 17,5% do negócio. Antes, a ideia era ofertar até 30% na bolsa.

Considerando o ponto médio da faixa indicativa, de R$ 11,00, o IPO da Caixa Seguridade pode movimentar até R$ 4,950 bilhões, avaliando a companhia em R$ 33 bilhões. Se levado em conta também o lote adicional, a cifra pode chegar a R$ 6,5 bilhões. Na semana passada, o Broadcast antecipou que a oferta seria, no máximo, de R$ 7 bilhões, e que o valor de mercado ficaria entre R$ 28 bilhões e R$ 38 bilhões.

No passado, a oferta da Caixa Seguridade era estimada em R$ 15 bilhões, e o objetivo do banco público era avaliá-la entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões. Agora, esse deve ser o patamar a ser alcançado nos próximos anos, dizem fontes, após a companhia ser listada em Bolsa, equiparando-se, assim à BB Seguridade, que vale R$ 49,5 bilhões na B3.

IPO menor

A estratégia do banco público de ofertar uma parcela menor do negócio, somada ao fato de que a maior parte será dedicada ao varejo, torna mais restrito o bolo que irá ao mercado. Do total, 55% vão para pessoas físicas, cuja demanda é praticamente certa, na visão de fontes de mercado. Desses, serão ofertados 40% ao público do varejo, 10% para os funcionários da Caixa e 5% aos clientes private da Caixa e de seus assessores no IPO.

O restante ficará com os investidores institucionais, que já começam a dar as caras. As sinalizações de futuras ordens começaram a chegar ainda na manhã de hoje, dizem fontes de mercado, na sequência da publicação da nova versão do prospecto do IPO. Reuniões entre representantes da companhia e investidores já estariam ocorrendo ao longo da tarde de hoje.

Assim, a Caixa descarta ter de baixar o preço do seu IPO de seguros para levá-lo adiante, afirmam fontes de mercado. Isso porque, além de revisitar a oferta, o banco público, sob o comando de Pedro Guimarães, teria acatado, conforme apurou o Broadcast, os valores sugeridos pelos bancos de investimentos assessores da transação, que previamente depuram o apetite do mercado para uma determinada oferta.

Na visão do analista da Ohmresearch e especialista em bancos, Carlos Macedo, o risco de ingerência do governo nos negócios da Caixa Seguridade é menor. Como exemplo, ele cita a BB Seguridade, holding de seguros do Banco do Brasil e listada em Bolsa. "O risco é vender menos seguro", diz.

Preparação

Nesse sentido, a Caixa Seguridade se debruçou em uma reestruturação que culminou em cinco novas joint ventures, com diferentes parceiros da iniciativa privada - antes a francesa CNP Assurances dominava o negócio. Além de arrecadar cerca de R$ 10 bilhões pela exclusividade do seu balcão de seguros, atraiu concorrentes locais e estrangeiros para turbinar seus negócios, em diferentes áreas. Também reforçou o braço de distribuição, com parceiros e uma corretora 100% própria, cumprindo as promessas que fez no passado aos investidores.

No prospecto do IPO, a Caixa Seguridade destaca que faturou R$ 35,9 bilhões no ano passado, marcado pela pandemia, um crescimento de 13,1% em comparação com 2019. Diz ainda que, desde que foi criada, em 2015, subiu da quinta para a terceira colocação em faturamento anual no mercado de seguros brasileiro.

O IPO da Caixa Seguridade foi paralisado em meio à pandemia e retomado este ano. A oferta está sendo conduzida pelos bancos Morgan Stanley, Bank of America (BofA), Credit Suisse, Itaú BBA, UBS BB, além da própria Caixa e do Banco do Brasil, que irão se debruçar na oferta ao varejo. Como a operação será secundária, os recursos captados irão para o caixa do banco público.

A expectativa é que precificação do IPO seja feita no dia 27 de abril. O início das negociações das ações está previsto para 29 de abril.

Procurada, a Caixa não comentou o assunto.

Contato: aline.bronzati@estadao.com
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