Economia & Mercados
21/01/2022 16:02

Especial: Brasileira GW trilha rota próspera nas bordas do boom do saneamento e mira até IPO


Por Juliana Estigarríbia

São Paulo, 21/01/2022 - Os recentes leilões de saneamento mostraram que a disputa por ativos do setor está em alta no País, com ágios altíssimos e lances bilionários. Mas não só as gigantes do mercado devem se beneficiar das oportunidades em água e esgoto, garante o CEO da General Water (GW), Fernando de Barros Pereira. Com atuação majoritária na iniciativa privada, a brasileira se prepara para brigar por projetos públicos municipais e não descarta a entrada de um novo sócio - ou até uma oferta pública inicial (IPO) - no futuro para suportar o plano de crescimento de longo prazo.

A GW foi fundada há 21 anos, em São Paulo, construindo e operando sistemas de abastecimento de água, tratamento de esgoto e efluentes, produção de água de reúso, entre outros. Atualmente, cerca de 96% da receita vem do mercado privado e, o restante, do público. Todo o investimento na construção dos projetos, obtenção de licenciamentos e operação é por conta e risco da GW. A remuneração da companhia é exclusivamente por performance.

"Desde a fundação, a GW tentou se colocar como uma concessionária particular", afirma Pereira ao Broadcast. "Mas o mercado brasileiro tem muitas oportunidades em saneamento, porque infelizmente temos pouquíssima cobertura e a necessidade de investimentos no setor é enorme."

A carteira da companhia tem cerca de 140 clientes, sendo 90% em operação e o restante em implantação, com contratos que vão de 5 a 20 anos em média. Um dos pilares de crescimento da GW deve ser o foco em projetos de grande porte, como o Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU Airport). O contrato prevê toda a gestão hídrica do complexo, garantia de abastecimento de água 24h por dia, tratamento de esgoto, entre outros.

A empresa também acaba de adquirir R$ 5,4 milhões em ativos da Tigre Soluções Ambientais. A transação envolveu a aquisição de cinco estações de tratamento (em São Paulo e no Distrito Federal), com contratos de tratamento de efluentes e reuso de água nos empreendimentos em que se encontram instalados os sistemas - shopping centers, grandes complexos administrativos e de escritórios.

Na carteira da GW, cerca de 40 clientes são shopping centers e 30 são complexos de escritórios. "Temos uma parte significativa da receita vindo do imobiliário, na pandemia tivemos que ser muito flexíveis e o faturamento sofreu bastante. Por outro lado, muitas indústrias cresceram, o que compensou a queda", relata Pereira.

Setor público

Há cerca de 12 anos, a GW conquistou a concessão pública de água do município de Porto Feliz (SP), em um contrato de 20 anos. "Quando passamos a prospectar o mercado público, era pouco regulado, tinha grande insegurança jurídica e problemas de compliance", conta o executivo. "Com a Lava Jato, o mercado dominado por grandes empreiteiras foi desmantelado e paralelamente veio o novo marco. Foi aí que começamos a nos preparar."

Segundo Pereira, atualmente a empresa está envolvida em duas licitações ativas e estuda entrar em cerca de cinco outras disputas públicas, todas com foco em pequeno porte, entre 20 mil e 100 mil habitantes, não muito mais do que isso. "Essa é a mesma escala que trabalhamos há mais de 20 anos com muita competência", assegura.

Para o executivo, inúmeras prefeituras têm buscado projetos mais customizados em vez da entrada em grandes blocos de licitações. Esse movimento já vem se materializando, de acordo com estudo da consultoria Radar PPP: em 2021, as iniciativas para parcerias público-privadas e concessões no setor de água e esgoto apresentaram significativo crescimento, com 84 novos projetos, dos quais 76 são municipais. No total, o Brasil tem hoje 449 projetos de saneamento.

"Estimamos 75% da nossa receita vindo do setor privado e 25% do público. Esse mix é importante para pulverizar as fontes de faturamento da companhia, além da expansão geográfica."

Caixa

O CEO da GW conta que, há alguns anos, o Conselho de Administração da companhia começou a buscar um sócio para ampliar a profissionalização e a governança, além do fortalecimento das bases para suportar o plano de crescimento. Em meados de 2017, a Lightrock, fundo de investimentos sediado em Londres e que investe em empresas que empregam tecnologia e conhecimento para resolver grandes problemas estruturais, começou a entrar no capital da GW e hoje tem por volta de 30% da brasileira.

"A nossa empresa vai ter uma necessidade grande de capital, principalmente na área pública. Já vínhamos trabalhando em alternativas para o novo ciclo de crescimento, pode ser através de um novo sócio de private equity ou mesmo um IPO, se as condições forem favoráveis", esclarece Pereira. "Diante do nosso apetite para essas concessões, vamos precisar de uma forte entrada de capital."

Em 2021, a companhia cresceu 25% e projeta crescimento de 25% a 30% para 2022, alcançando faturamento de R$ 100 milhões. "Temos acesso a mercado de capitais e estamos com capacidade de investimentos. Entendemos que água é necessidade básica, o mercado pode sofrer uma ou outra turbulência, mas vemos com bastante otimismo esse ano."

Com o amadurecimento do novo marco legal do saneamento, Pereira destaca o interesse de empresas estrangeiras de entrar no País via operadores nacionais. "É mais fácil ter alguém que conheça o Brasil, onde fazer negócios é complexo. Já fomos procurados por players internacionais com interesse de entrar na empresa ou mesmo conosco em projetos. O País passa a ser muito relevante em saneamento pelo seu tamanho, vai ter oportunidade para todo mundo."

Contato: juliana.estigarribia@estadao.com
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