Economia & Mercados
26/07/2021 08:32

Com viagens restritas, setor de luxo local cresce a dois dígitos e atrai novas marcas


Por Bruno Villas Bôas

Rio, 23/07/2021 - Com viagens internacionais ainda limitadas pela pandemia, o consumidor brasileiro mais endinheirado voltou o cartão de crédito para os shoppings centers de alto padrão do País. Desde maio, com a reabertura do comércio após a segunda onda de covid-19, os shoppings de São Paulo e do Rio relatam crescimento de dois dígitos nas vendas de marcas de luxo, em relação ao mesmo período de 2019. Grifes de bolsas, sapatos e peças de roupas estão em alta, especialmente das marcas internacionais.

Redes de shoppings "premium" ouvidas pelo Broadcast relatam interesse de novas marcas em entrar no País, inclusive de gastronomia, e apostam num segundo semestre positivo, com avanço da vacinação. O setor de shoppings como um todo, porém, ainda relata vendas abaixo do pré-pandemia. Dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) mostram que as vendas na semana de 12 a 18 de julho estavam 16% menor em relação ao mesmo período de 2019.

A JHSF, empresa do shopping Cidade Jardim, da Fazenda Boa Vista e de outros empreendimentos voltados para a alta renda, apurou vendas 50% maiores com lojistas nos meses de maio, junho e julho, frente ao mesmo período de 2019. Entre as marcas internacionais, esse crescimento supera 100%.

Robert Harley Bruce, diretor-presidente da JHSF Malls, diz que o consumidor de alta renda é ansioso por tendências e novidades. Na impossibilidade de viajar durante a pandemia para as mecas da moda como Nova York, Paris e Milão, esse público dedica mais tempo (e dinheiro) ao consumo interno.

"Inegavelmente, o segmento descolou do restante da economia. Mesmo com a pandemia, estamos aumentando as marcas em nossos shoppings", disse Bruce, citando marcas como Balmain, Isabel Marant, Emilio Pucci e Zimmermann com lojas inauguradas desde o ano passado.

A clientela endinheirada do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, terá nos próximos meses duas novas grifes italianas para usar seus cartões exclusivos: a alfaiataria Brioni e a sapataria Fratelli Rossetti. Um casaco com abotoamento simples da Brioni pode ser hoje comprado online no país por R$ 21.971, por exemplo.

Atualmente, a JHSF está em processo de expansão da operação do Catarina Fashion Outlet. Localizado na Rodovia Castelo Branco, em São Roque (SP), o shopping vai ganhar mais 24 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) até 2022, em sua terceira expansão desde que foi inaugurado em 2014. Segundo Bruce, a operação seguirá focada em outlets de alto luxo, com marcas internacionais e lazer.

Na Iguatemi Empresa de Shopping Centers, maior grupo de ativos "premium" do setor no país, as vendas a partir de maio, após a segunda onda da pandemia, tiveram ritmo de um Natal fora de época, explica Cristina Anne Betts, diretora financeira e de relações com investidores da empresa.

Ela afirma que na primeira reabertura do setor, em maio do ano passado, os consumidores retornaram aos shoppings ainda reticentes. Eles passavam pouco tempo nos centros comerciais, que ainda operavam em horário restrito, e realizavam compras assertivas. Nesta segunda reabertura em 2021, porém, o retorno teria sido diferente.

"A saída desse lockdown foi diferente, com os shoppings reabrindo diretamente com funcionamento de 8 horas, os consumidores mais acostumados com os protocolos, retornando para sua vida cotidiana, com filhos na escola", explica Betts, que a partir de janeiro se tornará CEO do Iguatemi, substituindo Carlos Jereissati.

Novos nomes

Com marcas internacionais crescendo a dois dígitos, o Iguatemi pretende inaugurar a primeira loja da badalada marca italiana de tênis Golden Goose, a queridinha dos fashionistas mais antenados. Também vai inaugurar loja da Balenciaga, maison parisiense que permanece entre as mais influentes marcas do mundo.

A disparada do consumo de luxo nos últimos meses não está restrita à capital São Paulo. No shopping Village Mall, na Barra da Tijuca, no Rio, clientes de saidinha de praia -- e uma bolsa Prada no ombro -- tem puxado o ritmo de recuperação das vendas de marcas internacionais, como Tiffany & Co, Gucci, Burberry, Valentino e Dolce&Gabanna.

Gabriel Palumbo, diretor regional da Multiplan, afirma que as marcas de luxo da rede de shoppings apresentaram crescimento de 51% nas vendas no primeiro trimestre deste ano, na comparação ao mesmo período de 2020. Esse comparativo, ele explica, não considera as vendas dos 13 últimos dias de março de 2020, período mais severo do lockdown.

Palumbo concorda que a limitação de viagens internacionais contribuíram para a aceleração das vendas de produtos de luxo no mercado doméstico, dada a dificuldade de comprar os produtos fora do país. Ele acrescenta que essa retomada foi ajudada pela reabertura de restaurantes da alta gastronomia. "O restaurante ofereceu um espaço para as pessoas se reencontrarem", disse ele.

O Village Mall pretende anunciar nos próximos meses a chegada de mais duas marcas de luxo, mas evita abrir quais serão. "Temos sido procurados por vários operadores de marcas internacionais, interessados em abrir lojas no Rio. As marcas estão bastante antenadas como que acontece no mercado do Rio de Janeiro", disse o diretor regional da Multiplan.

Contato:bruno.villas@estadao.comR
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