Economia & Mercados
01/10/2020 09:56

Vale tem dez barragens em nível 2 ou 3 de emergência; 4 delas em situação de ruptura iminente


Por Mariana Durão

Rio, 01/10/2020 - A Vale atualizou nesta quinta-feira, 1º, informações sobre a condição de estabilidade de suas barragens. De 104 estruturas avaliadas, 33 não tiveram emissão de Declarações de Condição de Estabilidade (DCE) positiva, sendo 32 barragens de operações de Minerais Ferrosos - que totalizam 93 - e uma de Metais Básicos. A companhia tem dez barragens classificadas em nível 2 ou 3 de emergência, os mais graves, sendo quatro no mais alto (B3/B4, Forquilha I, Forquilha III e Sul Superior).

De acordo com a mineradora, todas as barragens de rejeitos em nível 2 ou 3 de emergência estão contempladas no seu plano de descaracterização de barragens. O nível 2 é atingido quando o resultado das ações adotadas para corrigir uma anomalia é classificada como "não controlada" ou "não extinta", necessitando de novas inspeções especiais e intervenções. Já o nível 3 trata de uma barragem em situação de ruptura iminente ou em curso.

O documento informa que foram emitidas ainda 71 DCEs positivas, das quais 61 foram emitidas para estruturas geotécnicas das operações de ferrosos e 10 para estruturas de Metais Básicos. Um total de 35 estruturas tiveram seu nível de emergência mantido ou alterado.

A Vale tem nove barragens de rejeitos e sedimentos em níveis 2 ou 3 de emergência e com suas respectivas Zonas de Autossalvamento (ZAS) evacuadas. Além delas, a barragem Xingu teve seu nível de emergência elevado de 1 para 2 em 29 de setembro. Originalmente classificada como empilhamento drenado, a estrutura foi reclassificada como barragem de rejeitos com método de alteamento a montante.

Cinco unidades que tinham DCE positiva passaram a ter declaração negativa: Dique Borrachudo II, Mina Cauê, Dique Paracatu, Mina Fazendão, Taquaras, Mina Mar Azul, Dicão Leste, Mina Fazendão e Mutuca. Todas estão classificadas como nível 1 de emergência - quando é detectada uma anomalia que resulte na pontuação máxima quanto ao estado de conservação ou para qualquer outra situação com potencial comprometimento de segurança da estrutura, que demanda inspeções especiais diárias.

Sobre as estruturas em nível 1 de emergência, a Vale informa que 23 estão sem DCEs positivas. Dessas, 15 mantiveram o nível de emergência; 1 estrutura (Barragem VI) teve a respectiva emissão de DCE positiva, em processo de formalização de redução de nível de emergência; 1 estrutura (Xingu) teve nível de emergência elevado a 2; 5 estruturas perderam DCEs positivas nos meses subsequentes à divulgação de abril. Outras 3 estruturas, avaliadas pela primeira vez em 2020, não receberam DCEs positivas.

A barragem Itabiruçu, que possui DCE positiva, permanece em nível 1. O protocolo de nível 1, conforme previsto nos respectivos Planos de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM), não requer a evacuação da ZAS.

A Vale afirma que tem adotado diversas medidas para a melhoria das condições de segurança de suas estruturas. Para estruturas em níveis 2 ou 3 de emergência, a mineradora diz que vem mantendo os reservatórios rebaixados e minimizando o aporte de água, com a implantação de canais de cintura.

"Estruturas de contenção a jusante das barragens em nível 3 (backup dams) também estão em construção, com uma delas já concluída em março de 2020, relativa à barragem Sul Superior", diz o comunicado. Segundo a mineradora, a primeira fase das contenções relativas às barragens B3/B4 e Forquilhas I, II e III e Grupo foi concluída, mas, em função de ajustes, uma segunda fase está em andamento e tem previsão de conclusão para o quarto trimestre de 2020 (B3/B4) e segundo trimestre de 2021 (Forquilhas I, II e III e Grupo).

No caso das estruturas em nível 1 e em nível 2 de emergência, além do monitoramento contínuo e do aprimoramento das informações sobre as condições das estruturas, a Vale tem projetos e obras em andamento para elevar a condição de segurança ou para descaracterizar as estruturas.

Contato: mariana.durao@estadao.com
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