Política
11/08/2017 14:56

No Twitter, ministros fazem 'ofensiva' para exaltar governo Temer


São Paulo, 11/08/2017 - Desde que passou a enfrentar a crise política que veio com a divulgação de áudios gravados pelo empresário Joesley Batista, da JBS, o presidente Michel Temer conta com importantes aliados na defesa. Se, no plenário da Câmara dos Deputados, a maioria dos parlamentares a favor do arquivamento da denúncia justificou o voto pela estabilidade política e econômica, nas redes sociais três ministros do chamado "núcleo duro" de Temer fazem ofensiva parecida.

No Twitter, os chefes da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, e da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, alguns dos mais próximos dele, ignoram a crise político-judicial enfrentada por Temer e exaltam medidas do governo nas postagens.

Ativo na rede social desde 2009, mas com apenas 14 mil seguidores, Franco não tem economizado elogios às recentes medidas governistas. As palavras "investimentos", "governo", "Brasil" e "trabalhista" foram as mais usadas por ele, de acordo com levantamento da ferramenta Foller.me. Também em alta nas postagens estão os termos "modernização", "empregos", "economia", "Temer" e "recuperação".

As hashtags mais usadas por Franco seguem temática parecida - #investbr, #reformadaprevidência, #economia, #crescimento, #travessiasocial e #governoreformista foram campeãs na rede do ministro, ao lado da hashtag em autorreferência, #moreira, segundo o levantamento.

Desde 18 de maio, um dia após a gravação de Joesley Batista ter sido divulgada, o chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República fez 99 postagens na rede - entre elas, 16 vídeos. Assim como Padilha, Franco fez uma gravação em defesa de Temer logo após a divulgação do áudio do empresário, reforçando a estratégia de que "O Brasil não pode parar", frase usada pelos dois.

Já em relação ao chefe da Casa Civil, embora tenha postado mais que Franco - foram 121 mensagens, considerando retuítes, desde 18 de maio -, os elogios ao governo são mais discretos que os do colega, embora evidentes. As palavras mais usadas por Padilha foram "presidente", "governo" e "Brasil".

Boa parte das postagens são compartilhamentos de tuítes das contas do Palácio do Planalto, do presidente ou de algum ministério. Padilha também está na rede desde 2009 e tem pouco mais de 16 mil seguidores, mas usa pouca ou nenhuma hashtag nos comentários.

Fora da rede à época que a delação de Joesley Batista veio a público, Meirelles é o ministro mais bem-sucedido no Twitter: conquistou 23 mil seguidores desde a primeira postagem, em 7 de junho. O número pode não ser tão expressivo para uma conta verificada, mas ele tem se empenhado na rede.

Fez 121 postagens desde que a conta foi criada, quase todos os dias. Sem citar diretamente Temer, porém, Meirelles foca o discurso na equipe econômica. Apontado como potencial nome ao Poder Executivo - não apenas numa eventual eleição indireta, em caso de saída do peemedebista, mas também para disputar as eleições em 2018 -, Meirelles assumiu um discurso otimista para os seguidores.

As palavras mais usadas foram "recuperação", "crescimento" e "Brasil". Outros termos de preferência do ministro da Fazenda na rede foram "retomada", "empresas" e "economia". Já na primeira postagem, explicou o motivo para ter entrado na rede: "Pretendo usar este espaço para debater os rumos do Brasil", escreveu. O comentário virou piada entre os internautas, e Meirelles foi questionado por seguidores sobre o período em que fez parte do conselho da J&F, controladora da JBS.

As investigações sobre Temer quase nunca foram pauta dos ministros. A exceção foi no dia após a divulgação do áudio do empresário. Franco falou em "delação de um empresário" e Padilha disse que "delação traz fatos que devem ser investigados, mas não se tem ninguém condenado". No dia 2, quando a Câmara votava o arquivamento da acusação por corrupção passiva contra o presidente, nenhum dos ministros falou a respeito na rede. (Elisa Clavery)
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