Política
04/12/2017 15:30

Ex-secretário de Saúde do Estado do Rio diz em depoimento que Garotinho não tinha lesão no pé


Rio, 04/12/2017 - A polícia do Rio ouviu nesta segunda-feira, 4, na Cadeia Pública de Benfica, o ex-secretário estadual de Saúde, Sergio Côrtes, preso da Lava Jato, sobre as agressões que o ex-governador Anthony Garotinho denunciou ter sofrido no presídio. Ele é ortopedista e atendeu Garotinho em sua cela. O delegado Carlos César Santos, da 21ª Delegacia Policial (Bonsucesso), disse que Côrtes declarou não ter detectado as alegadas lesões no pé direito do ex-governador, somente no joelho direto, e que estas não eram compatíveis com um porrete ou taco de beisebol, instrumento que Garotinho diz ter sido usado por seu agressor.

O ex-governador relatou que o episódio ocorreu na madrugada de 24 de novembro. Segundo ele, a cela foi invadida por um homem branco de 1,70 metro. Cinco presos ouvidos nesta segunda-feira disseram não terem ouvido nada de suas celas, mas quatro ressalvaram que haviam tomado medicamento para dormir e um, que usava protetor auricular para lhe ajudar a pegar no sono

De acordo com Garotinho, o homem lhe agrediu no joelho e no pé, disse que ele "falava demais" e que só não ia matá-lo para não implicar os presos da Lava Jato que estão na mesma cadeia. "Sérgio Côrtes disse que fez um exame apurado de todo o corpo e não detectou outra lesão que não a do joelho direito. Ele fez um laudo, Garotinho leu e assinou. Ele não se queixou de lesão no pé. Estamos analisando para que não reste qualquer dúvida", afirmou o delegado.

Nas fotografias tiradas pela polícia, o joelho direito e o pé direito de Garotinho estão com manchas roxas. Agentes da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) disseram que ele se autolesionou. Garotinho ainda fará um retrato-falado do agressor. Depois do ocorrido, o ex-governador foi transferido para o presídio Bangu 8.

Nesta segunda-feira, a defesa dele enviou nota ressaltando que não se tratou de uma punição. "A transferência do presídio de Benfica foi solicitada pelos advogados e pela família de Garotinho. A intenção foi garantir a integridade física de Garotinho, o que foi acolhido no pedido do Ministério Público estadual. Vale lembrar que o ex-governador foi ameaçado inúmeras vezes por autoridades atualmente presas em Benfica."

Também em Benfica, o Ministério público irá ouvir nesta segunda-feira o ex-governador Sergio Cabral (PMDB) e outros presos da Lava jato sobre a doação de equipamentos para a instalação de uma sala de TV no presídio a ser usada por eles. A aquisição foi cancelada pela Seap depois que o caso foi divulgado, mas passado.

Um procedimento foi aberto na 24ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal para apurar possível prática de crime contra a administração pública e falsidade ideológica. Isso porque os doadores, a Igreja Batista do Méier e a Comunidade Cristã Novo Dia, alegaram terem sido enganados pelos presos.

A compra dos equipamentos - aparelhos de TV, DVD e home theater -, teria sido feita em dinheiro vivo por ordem do cúmplice de Cabral Wilson Carlos, que foi seu secretário de Governo e também está em Benfica. Ele iria operar a sala, em troca de remição de pena (a cada três dias de trabalho, a pena diminuiria em um dia). (Roberta Pennafort)
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