Política
07/07/2020 22:24

Após diagnóstico positivo de Bolsonaro, treze ministros fazem teste de covid-19


Por Idiana Tomazelli, Jussara Soares e Daniel Weterman

Brasília, 07/07/2020 - Após o presidente Jair Bolsonaro afirmar ter sido diagnosticado com a covid-19, ao menos treze ministros que se encontraram com o presidente também fizeram exames. Paulo Guedes (Economia), Luiz Eduardo Ramos (Secretária de Governo), Braga Netto (Casa Civil), Levi Mello (AGU), Marcelo Alvaro Antonio (Turismo), Ricardo Salles (Meio Ambiente), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Roberto Campos Neto (Banco Central) realizaram testes rápidos, que deram negativo.

Fernando Azevedo (Defesa), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), André Mendonça (Justiça) e Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) realizaram teste molecular, pelo método RT-PCR, e aguardam o resultado do exame. Mendonça também fez um teste rápido, que deu negativo. O teste RT-PCR de Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) deu negativo.

Paulo Guedes esteve com Bolsonaro ao menos sete vezes nos últimos 14 dias, período máximo de incubação do novo coronavírus até que o paciente comece a apresentar os sintomas. A mais recente foi nesta segunda-feira, 6, numa reunião no Palácio do Planalto, quando o presidente já apresentava sinais da doença.

Outro dos compromissos foi a cerimônia de prorrogação do auxílio emergencial, em 30 de junho, em que ambos estavam de máscara, mas trocaram um aperto de mãos. Na fase pré-sintomática, uma pessoa contaminada já pode transmitir o vírus mesmo sem apresentar sinais da doença. Diante da inexistência de uma vacina, autoridades sanitárias recomendam que as pessoas evitem o contato e mantenham distanciamento social.

Bolsonaro começou a apresentar sintomas de covid-19 no domingo e confirmou hoje que contraiu a doença. Segundo especialistas, o período de incubação (intervalo entre a contaminação e o início dos sintomas) pode variar de 2 a 14 dias, com média de 5 dias.

De acordo com informações da agenda pública de Guedes, além da cerimônia do auxílio emergencial, o ministro teve quatro reuniões com Bolsonaro no Palácio do Planalto, em 23, 24 e 25 de junho e hoje, 6 de julho. Guedes também acompanhou o presidente, no Planalto, numa videoconferência da Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul na última quinta-feira, 2 de julho. Na ocasião, o ministro sentou ao lado de Bolsonaro.

Na última sexta, 3 de julho, Guedes esteve novamente com Bolsonaro para uma reunião com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. O encontro mais recente entre o ministro e o presidente da República foi ontem, no Palácio do Planalto. Bolsonaro, com 65 anos, e Guedes, de 70 anos, fazem parte do chamado grupo de risco para o coronavírus. A população acima de 60 anos é considerada mais vulnerável à doença.

Desde o início da pandemia, Guedes tem evitado compromissos presenciais e dá preferência a reuniões por videoconferência, inclusive com seus secretários e assessores. As exceções são os compromissos com o presidente e, mais recentemente, reuniões com parlamentares, ocasiões em que Guedes costuma ser visto usando máscara.

Bolsonaro, porém, não é usuário tão assíduo da proteção, apesar de o uso ser obrigatório em locais públicos no Distrito Federal. No mês passado, a Justiça chegou a conceder uma liminar obrigando o presidente a usar a máscara, mas essa decisão foi derrubada posteriormente pela desembargadora Daniele Maranhão Costa, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Todos os três ministros seguem despachando no Palácio do Planalto. Segundo a agenda oficial, o presidente ainda teve reunião com os ministros Paulo Guedes (Economia), Levi Mello (Advocacia-Geral da União) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), que já contraiu a doença.

O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, disse em nota que deseja “o pronto restabelecimento do presidente Jair Bolsonaro e dos demais brasileiros que enfrentam hoje a covid-19”. “Uma sociedade livre não se constrói com ódio e intolerância, mas com respeito à diversidade, elemento essencial à convivência democrática”, escreveu Toffoli.

Para o presidente do STF, “somente um processo de pacificação cicatrizará as feridas deixadas por essa pandemia”, que já tirou 66.868 vidas no Brasil. “Em nome pessoal e do Poder Judiciário, trabalhamos pela vida e pela paz”, ressaltou.
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