Política
09/10/2018 16:54

Guedes: prefeitos do PT votarão por reforma do estado, pois precisam de dinheiro para governar


Rio, 09/10/2018 - O economista Paulo Guedes disse hoje que a reforma do estado será o eixo de governabilidade do próximo governo. Segundo ele, em vez do "toma lá, dá cá", deve haver uma mudança nos eixos de governabilidade com descentralização do orçamento e "até prefeitos do PT" vão votar pela reforma do estado, porque precisam de dinheiro para governar.

"Reforma do estado é movimento natural e secular que está atrasado. Temos que acelerar as privatizações para dar continuidade à reforma do estado", disse, após acompanhar o candidato do PSL à presidência, Jair Bolsanaro, na gravação do programa eleitoral que começa a ser veiculado na sexta-feira.

Guedes não quis dizer se participou da gravação e minimizou a importância da economia na disputa eleitoral. Para ele, apesar da mídia tentar dar protagonismo aos economistas, o que está acontecendo é que a política está ditando o jogo.

"A eleição está sendo decidida em termos de princípios e valores", disse. "Todos os economistas estão dizendo que precisa fazer a reforma da previdência, todos dizem que precisa atacar o déficit público, que precisa de privatizações, uns mais, outros menos. Não está aí a questão", declarou.

Sobre a equipe econômica em um eventual governo de Bolsonaro, Guedes reafirmou a preponderância da política sobre a economia e não quis falar em nomes, dizendo que "conversa com pessoas". "De economista, está cheio. A gente está sentindo falta de lideranças políticas", respondeu.

Com um discurso alinhado ao do candidato, o economista disse que o descontrole de gastos estagnou a economia e corrompeu a política. Mesmo defendendo um governo "liberal-democrata", em oposição aos "30 anos de governos social-democratas", abriu espaço no discurso para colocações de cunho social. "Queremos um estado eficiente e fraterno", disse, frisando que o "sistema previdenciário transfere renda ao contrário".

"Tivemos 30 anos de governos social-democratas e agora, aparentemente, pode haver uma aliança de centro-direita em torno de um programa liberal-democrata. Os programas social-democratas têm sempre alguns méritos, colocaram as classe menos favorecidas nos orçamentos, mas aumentaram muito os gastos públicos", completou. (Renata Batista e Constança Rezende - renata.batista@estadao.com e constanca.rezende@estadao.com)
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