Política
22/07/2020 16:06

Exclusivo: Em reunião, Guedes admite descoordenação política do governo no envio da reforma


Por Daniel Weterman

Brasília, 21/07/2020 - Em reunião reservada com a cúpula do Congresso Nacional, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu um atraso e uma falta de coordenação política do governo Jair Bolsonaro no envio da reforma tributária, conforme apurou o Broadcast Político. A primeira etapa da proposta foi entregue nesta terça-feira, 21.

Na sala da presidência do Senado, antes das declarações à imprensa, Guedes defendeu o avanço de marcos regulatórios para estimular investimentos. Ao falar sobre essas propostas, afirmou que o próprio governo dificultou o avanço da reforma tributária, que ficou parada no Congresso à espera do texto do Executivo federal.

"E, da mesma forma, um atraso nosso na articulação política, quase fizemos essa reforma lá atrás. Ainda bem, deu tempo e melhoramos bastante, mas a verdade é que nós nos atrasamos na reforma tributária", disse Guedes na reunião fechada a qual o Broadcast Político teve acesso ao conteúdo.

Em setembro de 2019, o chefe da pasta demitiu o então secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, em meio às discussões sobre a criação de um imposto nos moldes da extinta CPMF. Agora, o governo estuda criar um "imposto digital" na mesma esteira, em uma outra fase.

"Nós estávamos praticamente entusiasmados ali pela metade do ano, poderíamos ter quase aprovado ali, mas por uma descoordenação política nossa, de governo, do Executivo, nós acabamos dificultando um pouco a coisa toda", admitiu o ministro.

Na reunião, Paulo Guedes defendeu a aprovação da reforma tributária ainda neste ano como um legado dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), cujos mandatos à frente das Casas terminam em fevereiro de 2021.

De acordo com Guedes, será possível começar pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação na Câmara nos próximos 15 ou 20 dias. Depois disso, pontuou, os parlamentares poderão discutir o tema no âmbito da PEC no Senado. Ele admitiu, porém, que há uma série de interesses de setores pressionando a discussão.

No encontro, fechado à imprensa e acessível apenas para líderes do Congresso, Paulo Guedes fez um aceno político a Davi Alcolumbre, apontado como um "bombeiro" nas crises políticas entre o Congresso e o Executivo federal. O chefe da pasta classificou o parlamentar como um "gigante". "Toda vez que tem uma confusão política, o presidente (do Senado) vem, acalma tudo, bota a bola no chão e comece o jogo."

Contato: daniel.weterman@estadao.com
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