Política
13/10/2021 17:00

Bolsonaro volta a elogiar André Mendonça e renova promessa de ter um evangélico no STF


Por Eduardo Gayer

Brasília, 13/10/2021 - Em meio às dificuldades do governo em emplacar André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro voltou a elogiar o ex-ministro da Justiça e renovou sua promessa de colocar um evangélico no corpo de ministros da Corte. Mendonça é pastor presbiteriano.

"Se Deus quiser, brevemente Miracatu terá um ministro do Supremo Tribunal Federal. À família de Miracatu, de André Mendonça, meus cumprimentos, por este homem extremamente competente, capaz e inteligente, e dentro do meu compromisso com um evangélico para o Supremo Tribunal Federal", declarou Bolsonaro em evento em cerimônia de entrega de títulos de propriedades rurais em Miracatu (SP), onde mora parte da família do ex-ministro. A cidade fica na região do Vale do Ribeira, região em que Bolsonaro morou na infância.

Indicado por Bolsonaro por ser "terrivelmente evangélico", André Mendonça teve a indicação travada pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O parlamentar resiste a pautar a agendar a sabatina necessária para aprovar ou não o nome do ex-advogado-geral da União (AGU). Nesta manhã, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que a indicação deve ser analisada no colegiado nas próximas semanas. Também hoje, o vice-presidente Hamilton Mourão disse ter uma outra indicação para o cargo, mas que foi rejeitada pelo chefe do Executivo: o desembargador Thompsom Flores.

Durante o evento, Bolsonaro ainda reforçou críticas ao julgamento do marco temporal, hoje suspenso no STF; repetiu que o governo não tem casos de corrupção, sem citar os escândalos suspeitos expostos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid; voltou a jogar a atual crise econômica no colo de governadores que tomaram medidas de contenção do coronavírus e a alta dos combustíveis na incidência do ICMS, um imposto estadual.

"Reconhecemos o preço alto para poder aquisitivo de vocês, mas quando se fala de gasolina e álcool, veja o quanto seu governador está cobrando de ICMS, em especial o de São Paulo, que aumentou ICMS em plena pandemia", declarou o presidente, em nova crítica ao governador paulista, João Doria (PSDB), pré-candidato à presidência, sem considerar o efeito do dólar nas alturas - com forte componente de instabilidade política.

Governadores como Doria, no entanto, comumente defendem nas redes sociais que o ICMS não teve a alíquota porcentual alterada nos últimos anos. Ainda assim, o governo, com apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), quer alterar a incidência do ICMS sobre os combustíveis, o que deve impactar o caixa dos Estados.

Frente a um público engajado em pautas de interesse do agronegócio, o presidente também defendeu o armamento da população brasileira. "Em nosso governo, não pude alterar lei como queria, mas alteramos decretos e portarias de modo que arma de fogo passou a ser realidade entre nós", declarou.

Especialistas em segurança pública, no entanto, são contrários ao armamento de civis e consideram a medida contraproducente no combate à violência. Ontem, o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, afirmou durante missa em louvor à Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, que "pátria amada não pode ser pátria armada". Em Miracatu, Bolsonaro disse que a fala teria sido feita no dia 11, culpou a imprensa pela repercussão e respondeu ao religioso: "respeito os bispos, respeito a todos que tenham posição diferente da minha. Não é porque quando eu não quero uma coisa, eu acho que ninguém pode ter o direito de querer. Nós devemos nos preocupar com a nossa liberdade".

Eleições 2022.

Bolsonaro ainda voltou a insuflar uma possível candidatura do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, em 2022. "Se vocês querem Tarcísio na política, peçam por ele", declarou. O presidente quer Tarcísio como candidato ao governo de São Paulo, mas o chefe da Infraestrutura prefere se lançar ao Senado, possivelmente em Goiás.

Contato: eduardo.gayer@estadao.com
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