Política
15/09/2020 14:57

Ministro da Educação diz não fazer pregação e reforça 'valores'


Por João Ker

São Paulo, 15/09/2020 - O ministro da Educação, Milton Ribeiro, disse nesta terça-feira (15) ter sido escolhido para o cargo por estar de acordo com “valores" e "princípios” propostos pela gestão do presidente Jair Bolsonaro, mas afirmou estar aberto ao diálogo com secretários estaduais e municipais.

A declaração foi dada na divulgação dos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2019, que mostram avanço inédito do Ensino Médio, mas desaceleração do crescimento dos anos finais do Fundamental. No evento, o Ministério da Educação (MEC) afirmou que ainda estuda como avaliar impactos da covid-19 na aprendizagem dos alunos.

“Claro que temos uma linha e um propósito com relação à educação e isso deve prevalecer." Ainda de acordo com Ribeiro, a indicação dele para o MEC não teve viés político, uma vez que ele não é afiliado “a nenhum partido nem grupo religioso, tampouco os evangélicos”. “Tenho conversas com eles, mas não os represento”, afirmou Ribeiro, que, além de ter sido vice-reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, também é pastor presbiteriano.

"Ele (Bolsonaro) pagou o preço de colocar alguém que nem conhecido era. Um pastor, como sou. Embora eu não esteja aqui fazendo pregação no MEC. Minha visão é outra sobre meu trabalho. Ele expôs-se politicamente ao me colocar aqui", disse, em fala que durou menos de dez minutos, antes de deixar o evento.

Na quinta-feira (10), o ministro da Educação foi criticado após afirmar que os jovens são “zumbis existenciais” por não acreditarem em Deus ou na política, durante evento no Palácio do Planalto. "Temos hoje no Brasil, motivados, creio eu, por essa quebra de absolutos e certezas, verdadeiros zumbis existenciais. Não acreditam mais em nada, desde Deus e política, não têm mais nenhuma motivação."

Na apresentação, gestores do MEC destacaram o avanço do Ensino Médio, que vinha de anos de estagnação, mas salientaram o desafio nesta etapa e também nos anos finais do Fundamental, etapa para a qual o ministério promete olhar com mais atenção. Sobre os impactos do novo coronavírus e do fechamento de escolas na aprendizagem dos estudantes, ainda não há plano traçado para fazer um diagnóstico.

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes, disse que o órgão está “vendo a possibilidade de fazer avaliações amostrais” sobre esses efeitos, mas seriam para estudos internos, e não em larga escala.

De acordo com educadores, o coronavírus trará desafios extras para o ensino nos próximos anos. O período prolongado de fechamento das escolas deve aumentar a defasagem de aprendizado de grande parte dos discentes, especialmente os mais vulneráveis, e também eleva o risco de evasão. Além disso, o poder público terá dificuldades para implementar medidas sanitárias para reduzir o contágio na pandemia, como tornar menor o número de estudantes por turma, num cenário de maior restrição orçamentária.

A secretária da Educação Básica, Izabel Pessoa, anunciou que o governo federal destinará R$ 525 milhões para ajudar as escolas que decidirem retomar as aulas presenciais em 2020. O aporte será transferido pelo Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que inclui apoio técnico e orientações a protocolos de biossegurança para 116.767 colégios de 5.100 cidades em todo o País, impactando 36,8 milhões de estudantes.
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