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12/12/2018 17:03

Compor Congresso para enfrentar reformas impopulares será maior desafio de Bolsonaro, aponta cientista político


A aprovação das reformas deve ser uma das prioridades do primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro, e compor uma base sólida do Congresso para lidar com pautas impopulares, como a reforma da Previdência, será fundamental, de acordo com Fernando Schüler, cientista político e professor do Insper. Ele foi um dos oradores da 99ª Reunião do G100 Brasil, grupo que reúne alguns dos principais empresários, presidentes e CEOs do país, realizada nesta quarta-feira, em São Paulo.


“O grande desafio será a relação com o Congresso. Montar uma base consistente, que tenha boa governabilidade e que possa enfrentar reformas que são impopulares. O ajuste estrutural que precisa ser feito atinge interesses da própria base eleitoral do Bolsonaro. Em algum momento, será preciso uma sustentação sólida do Congresso”, disse o especialista.


Para Schüler, a ampla popularidade que o presidente eleito adquiriu ao longo do processo eleitoral não será suficiente. “A ideia ingênua de que a vontade popular vai impulsionar reformas é frágil. Bolsonaro foi eleito por uma pauta conservadora, mas a pauta real do governo é outra. A prioridade é o déficit primário de 130 bilhões, a insolvência fiscal do país, e essa pauta não foi discutida na eleição. Isso supõe uma base que seja capaz de resistir à pressão contrária da sociedade”, completou.


No entanto, Schüler vê perspectivas positivas para o governo de Jair Bolsonaro, sobretudo pela forma como vem sendo conduzida a transição e a formação dos ministérios sem a negociação prévia com partidos, algo inédito na história recente da democracia brasileira. “Bolsonaro não tinha alternativa. Num quadro de extrema dispersão partidária, o custo de negociação seria brutal. O loteamento do governo gera um descontrole e haveria um risco enorme de ineficiência e corrupção. Ou seja, seria uma traição ao próprio programa de campanha. É um modelo novo, uma incógnita, mas era a única opção que ele tinha”, concluiu Schüller.


Um dos participantes da reunião, o professor e economista Roberto Troster também elogiou a postura de Bolsonaro quanto à formação dos ministérios, cumprindo o que prometeu na campanha, e apontou as duas prioridades do governo no próximo ano. “Ele está se posicionando muito bem, aplicando a máxima política de ‘dividir para reinar’. As prioridades dele em 2019 devem ser o ajuste fiscal e a reforma da previdência. O combate à corrupção ele também equacionou bem, e outras questões também estão encaminhadas”, disse Troster.


 

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