Agronegócios
04/09/2017 13:40

Fipe/Yabiku: recuo em alimentação volta a surpreender e dá alívio de 0,33 pp no IPC (0,10%)


São Paulo, 04/09/2017 - A queda de 1,33% do grupo Alimentação no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de agosto voltou a surpreender a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), cuja estimativa era de recuo de 0,98%. Sozinho, esse conjunto de preços deu alívio de 0,33 ponto porcentual no IPC do oitavo mês, que teve alta de 0,10%, diz Moacir Mokem Yabiku, gerente técnico de pesquisa do indicador. Ele conta que o IPC só não ficou negativo pela segunda vez consecutiva principalmente por causa da taxa positiva de 1,58% do grupo Transportes (ante 0,17%), devido à pressão em combustíveis. "O IPC teria queda na faixa de 0,10%, não fosse essa influência positiva", observa. Em julho, Alimentação caiu 0,26%.

A variação de 0,10% do IPC de agosto veio melhor que o piso das expectativas do Projeções Broadcast (0,13%). Conforme Yabiku, os efeitos favoráveis do clima, da safra e os preços comportados das commodities permitiram mais um declínio no grupo Alimentação e consequentemente um IPC baixo. Segundo ele, houve descompressão generalizada nesse segmento, mas destacou especialmente "os preços de carne bovina, cereais e de alimentos in natura", que continuaram acomodados.

Os alimentos industrializados passaram de alta de 0,41% em julho para retração de 0,85%; os semielaborados saíram de baixa de 2,60% para recuo de 2,52%; os in natura foram de elevação de 1,18% para -1,99%; e alimentação fora do domicilio, de 0,47% para 0,08% no oitavo mês do ano. "De fato, há alívio nos preços. O índice de difusão reforça isso, ao ficar em 43,84%, sendo o mais baixo desde junho de 2006 (42,48%). Porém, a percepção de alívio ainda não é tão significativa pois a renda está estagnada", avalia.

Em agosto de 2016, o grupo Alimentação ficou no campo positivo (0,74%). Com o recuo apurado em agosto de 2017, acumula declínio de 3,68% em 12 meses, que vai na contramão da taxa positiva acumulada pelo IPC no período, de 2,09%.

Na categoria de alimentos industrializados, Yabiku cita como exemplo a queda de 7,16% nos preços do leite em pó, enquanto em semielaborados ressalta o declínio de 0,89% em carne bovina. Segundo ele, já há sinais de alta, em razão da sazonalidade desfavorável, mas ainda sim, completa, não devem atrapalhar a dinâmica desinflacionária. Além desse tipo de carne, a de frango também ficou mais barata, ao cair 3,07%. Já a carne suína subiu 0,25%. "Outros produtos bastante consumidos, como feijão (-13,53%) e arroz (-1,70%) também ajudaram a conter a inflação", diz.

Já no segmento de in natura, houve baixa de 0,61% nos preços de frutas e recuo de 4,65% em legumes, "que foi puxado pela queda de 10,13% do tomate", afirma. As verduras também ficaram mais baratas (-6,95%), enquanto os tubérculos tiveram pequena elevação (0,19%). (Maria Regina Silva - maria.regina@estadao.com)
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