Agronegócios
21/01/2019 10:50

Perspectiva: mercado de grãos deve se orientar pelo clima no Brasil e demanda chinesa


São Paulo, 21/01/2019 - Investidores dos mercados futuros de soja, milho e trigo na Bolsa de Chicago (CBOT) devem começar a semana atentos às novidades sobre a discussão comercial entre Estados Unidos e China e sobre a demanda externa chinesa. O clima no Brasil continua sendo monitorado, mas há previsão de chuvas para as próximas semanas em áreas que estavam mais secas no centro do País. Traders também monitoram a paralisação parcial do governo norte-americano, que tem deixado o mercado sem números oficiais de vendas externas. Nesta segunda-feira, a CBOT permanece fechada pelo feriado de Dia de Martin Luther King nos EUA.

Os futuros de soja fecharam em alta na sexta-feira. O vencimento março subiu 9 cents (0,99%) e terminou a US$ 9,1675/bushel. Na semana, a alta foi de 0,71%. Segundo a analista Ana Luiza Lodi, da INTL FCStone, o mercado voltou a projetar na sexta-feira a possibilidade de avanço nas discussões entre EUA e China. "Estão surgindo muitos rumores no mercado de algum acordo mais amplo entre os dois países", disse a analista. "Na quinta-feira teve um boato de suspensão de tarifas por parte dos EUA, que depois foi negado. Na sexta-feira, teve outro rumor de que a China estaria disposta a se comprometer a aumentar a importação dos EUA."

Conforme a analista, as novidades sobre as negociações entre os dois países vêm direcionando o mercado, já que investidores seguem sem dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para confirmar volumes de venda norte-americanos devido à paralisação do governo. No fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, se mostrou esperançoso de que os dois países possam encontrar uma maneira de acabar com a disputa sobre tarifas. "Nós realmente tivemos um número muito extraordinário de reuniões e pode muito bem acontecer um acordo com a China", disse a repórteres no sábado.

Investidores também seguem atentos à safra no Brasil. "Tem previsão de que avance uma frente fria e chova na região central, que vem registrando menos umidade - algumas áreas estão há 15 dias sem chuvas. No Sul em geral tem chovido", disse Ana Luiza, da FCStone. Segundo a analista, por enquanto é preciso monitorar o clima para ver como ficará a produção. "A seca em dezembro afetou lavouras de ciclo curto, superprecoces, de 90 dias, que têm capacidade de recuperação menor de um estresse climático", disse. Segundo a analista, são esperadas precipitações no Matopiba e no Centro-Oeste nas próximas semanas. "Nos próximos 10 a 15 dias previsões indicam que deve chover nessas regiões."

A colheita da safra 2018/19 de soja do Brasil atingiu 6,1% da área cultivada até quinta-feira (17), disse a consultoria AgRural, em levantamento semanal. O número representa avanço semanal de quatro pontos percentuais. A colheita segue adiantada em relação ao patamar de 0,8% de um ano atrás e de 1,2% da média de cinco anos. Em Mato Grosso, o tempo mais seco dos últimos dias fez a colheita saltar de 3,9% para 12,8%, o que colocou o Estado na dianteira dos trabalhos no País, à frente do Paraná, segundo a AgRural. Há um ano, 2,8% da área mato-grossense estava colhida. No Paraná, a colheita chegou a 11,9% da área, ante 0,3% da média de cinco anos. "A região oeste segue puxando os trabalhos, com produtividades entre 20 e 55 sacas por hectare", disse a consultoria.

O milho terminou em alta na sexta-feira na CBOT. O mercado foi impulsionado pelo fortalecimento do petróleo, que melhora a competitividade relativa do etanol. Nos EUA, o biocombustível é feito principalmente com milho. O vencimento março subiu 1,75 cent (0,46%), para US$ 3,8175 por bushel. Na semana, o ganho foi de 0,92%. Com a paralisação parcial do governo norte-americano, traders continuam sem importantes dados de demanda. Por isso, estão se baseando em negociações de grãos no exterior para ter uma ideia da procura por commodities dos EUA. Relatos de que importadores chineses vêm comprando milho da Ucrânia são vistos como uma boa indicação de que a China poderia também comprar grandes quantidades de milho dos EUA, disse Tomm Pfitzenmaier, da Summit Commodity Brokerage.

Segundo cálculos da Marex Spectron, fundos de investimento vinham apostando fortemente na queda dos preços de milho na semana encerrada em 15 de janeiro. Isso pode ter estimulado a cobertura de posições vendidas nas últimas sessões. A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) não vem divulgando seu relatório semanal com o posicionamento de traders por causa da paralisação do governo.

Quanto ao trigo, os futuros negociados na CBOT devolveram ganhos no fim da sessão e fecharam estáveis na sexta-feira. Influenciados pelo desempenho do milho, os preços chegaram a subir quase 1% durante o pregão, mas acabaram pressionados pela alta do dólar no mercado internacional. O fortalecimento da moeda norte-americana torna commodities produzidas nos Estados Unidos menos atraentes para compradores estrangeiros. Na CBOT, o vencimento março do trigo terminou sem variação, em US$ 5,1775 por bushel. Na semana, o recuo foi de 0,34%.

Café: contratos sobem 0,4% na semana
Os contratos futuros de café arábica apresentaram valorização de cerca de 0,4% (110 pontos) na semana passada na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), base vencimento março de 2019. As cotações encerraram na sexta-feira (18), a 104,95 centavos de dólar por libra-peso. No período, os contratos marcaram máxima de 106,20 cents (sexta, dia 18) e mínima de 100,40 cents (terça, dia 15).

O Escritório Carvalhaes, tradicional corretora de Santos (SP), destaca em boletim semanal que a semana passada foi difícil para o mercado de café. "O mercado físico brasileiro foi comprador, mas os cafeicultores em sua maioria ainda se mantiveram fora das vendas, apesar de os valores das ofertas terem subido um pouco. "Foram de 5 a 20 reais melhores, dependendo da qualidade do café oferecido no mercado", comenta Carvalhaes.

Açúcar: mercado deve se sustentar acima de 13 cents
O mercado futuro de açúcar demerara deve sustentar ganhos da semana passada na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Os contratos, no entanto, devem se consolidar acima de 13 centavos de dólar por libra-peso, base março, para confirmar uma melhora de tendência. Hoje a ICE Futures US não abre, por causa do feriado de Dia de Martin Luther King nos Estados Unidos.

Os futuros de demerara operaram entre estabilidade e alta na sessão de sexta-feira. Março/19 encerrou com ganho de 1,40% (18 pontos), a 13,03 centavos de dólar por libra-peso. A máxima foi de 13,08 cents. A mínima foi de 12,85 cents (mesmo nível do fechamento anterior).

Tecnicamente, os futuros de demerara têm resistência em 13,07 cents, 13,27 cents e 13,50 cents. Na parte de baixo, o suporte é de 12,83 cents e 12,72 cents.

Na sexta-feira, a valorização do petróleo foi decisiva para puxar para cima as cotações do açúcar. Os contratos futuros de petróleo avançaram principalmente depois da divulgação do relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), o qual confirmou uma substancial queda na produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em dezembro, de 590 mil barris por dia, a 32,39 milhões de bpd, o menor nível desde julho do ano passado

(Leticia Pakulski e Tomas Okuda - leticia.pakulski@estadao.com e tomas.okuda@estadao.com)
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