Economia & Mercados
05/08/2022 17:17

Especial: Com definição de conselho, investidor da Eletrobras quer diretoria e planejamento


Por Ludmylla Rocha

São Paulo, 05/08/2022 - A Eletrobras define na tarde de hoje, em assembleia digital, a nova composição de seu Conselho de Administração. A medida é uma das primeiras depois da capitalização e começará a responder a principal pergunta dos investidores em relação ao caminho que será adotado pela elétrica agora privatizada.

Há expectativa de que ainda hoje o colegiado recém-eleito informe ao menos parte dos nomes que vão compor a nova diretoria da empresa e, consequentemente, seu presidente. Os analistas de mercado consultados pelo Broadcast Energia explicam que é este o time que vai definir o futuro da companhia, cujo destino não foi informado ao longo do processo de privatização.

"No momento da capitalização, a empresa não tinha um planejamento, não tinha um estudo falando: isso aqui é a possibilidade de redução de número de funcionários, isso é o que eu acho que dá para melhorar em tal área. Nada disso foi apresentado para os investidores porque a companhia estava ali focada em toda a burocracia para fazer a privatização acontecer", lembrou o analista de utilities do Itaú BBA, Marcelo Sá.

Ele, contudo, afirma que a empresa já tem consultorias, bancos, escritórios de advocacia que foram contratados para analisar o que pode ser feito. "E aí quando o novo diretor-presidente entrar, o conselho já vai ter um material preparado, muitos estudos avançados, que serão apresentados para ele para que decisões sejam tomadas sobre o que a empresa deve fazer no curto prazo", completou.

O entendimento é o mesmo do analista de research da Warren Investimentos Gustavo Pazon: "você não tem nem o objetivo, nem a meta ainda. Quanto mais o que vai se fazer para chegar nesse objetivo". Ele avalia que hoje, o preço das ações da companhia é formado pelo que ela realmente vale, mais as expectativas em relação ao que poderá fazer como empresa privatizada, por isso, a importância da divulgação deste planejamento.

A volta de Wilson Ferreira Jr.

Um movimento aguardado por parte do mercado, é a volta de Wilson Ferreira Júnior para comandar a empresa, após o executivo ter feito todo o trabalho de reestruturação da Eletrobras e prepará-la para a privatização.

A indicação dele para comandar a nova Eletrobras, agora privada, foi confirmado pelo Estadão, e no último dia 20, Ferreira Jr. se desligou da Vibra (ex-BR Distribuidora), pavimentando o caminho para retornar à elétrica que comandou de 2016 ao início de 2021.

Pesa a favor da indicação dele, a percepção do mercado de que trabalho desenvolvido à época foi "brilhante". "Ele fez um trabalho excelente quando a empresa era estatal, conseguiu aumentar muito a eficiência da companhia, a empresa estava quase quebrando e a alavancagem desabou no mandato dele", reforçou Sá.

Para ele, é essa experiência que contou para que o executivo fosse bem-visto entre os conselheiros. "Como presidente ele mapeou muitas oportunidades, e alguma delas não conseguiu fazer por restrições, pelo fato de a empresa ser estatal. Então, hoje existe um cenário no qual ele não terá mais essas limitações. Você vai ter um grupo de acionistas alinhados com o mesmo objetivo do presidente, que às vezes é um pouco diferente do objetivo do governo", avaliou.

Já Pazon destaca o bom trânsito com o governo e a experiência em transição de empresa pública para privada como outros pontos positivos. "Ele terá que ser muito habilidoso com essa questão do poder de veto do governo, a cerca de algumas decisões da Eletrobras, mas o executivo terá a empresa muito mais flexível. Já não existe mais aquele braço de distribuição que ele tinha, e nem a Eletronuclear [...], ou seja, é uma empresa de geração e transmissão de energia", avaliou.

Expectativa de continuidade

Ele afirma ainda que, embora que haja a indefinição quanto aos principais objetivos da companhia, a perspectiva é de continuidade do trabalho de Ferreira Jr. "ele vai dar continuidade. Depois que ele saiu não se fez muita coisa na Eletrobras. Do ano passado para esse ano, o que mudou? A privatização, alterações de governança. Não teve alterações operacionais, então é a continuidade do trabalho que ele vem fazendo. Ninguém mexeu nada, não comprou ativo ou demitiu mais gente. Não tem alterações operacionais em relação ao que o Wilson deixou".

Enquanto trabalha no planejamento, porém, espera-se que uma das frentes na qual se possa já atuar é a de venda de ativos. "A Eletrobras tem R$ 6 bilhões em participações minoritárias, participações em ativos que eventualmente faz sentido vender ou comprar o controle para fazer uma operação conjunta", opinou Sá. Para ele, "tem muitas coisas que vão desaparecer na companhia".

Contato: energia@estadao.com
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