Economia & Mercados
01/12/2020 07:50

Especial: Volta de estrangeiros faz do Ibovespa o melhor investimento de novembro


Por Ernani Fagundes

São Paulo, 30/11/2020 - A volta dos investidores estrangeiros à Bolsa brasileira em novembro, com uma entrada de cerca de R$ 32 bilhões em recursos na B3, fez do Ibovespa o melhor investimento de novembro. No mês, o índice teve uma alta de 15,90%, o melhor desempenho mensal do ano, mas ainda mostra uma perda de 5,84% no acumulado de 2020. Na outra ponta e basicamente pelo mesmo motivo de entrada de recursos de estrangeiros, quem estava comprado em dólar teve uma perda de 7,18% no mês, embora a moeda norte-americana ainda conserve uma valorização de 32,67% no mercado à vista (spot) da B3.

"Quem investiu na Bolsa teve dois impulsos no mês, o primeiro com a vitória do democrata Joe Biden nas eleições americanas, o que removeu incertezas em todo o mundo, e notícias seguidas sobre a eficácia das vacinas. O segundo impulso veio na segunda quinzena com a volta dos estrangeiros à Bolsa brasileira, que está muito barata em dólar", avaliou o estrategista de análise da Ágora Investimentos, José Francisco Cataldo Ferreira.

Na avaliação de Ronaldo Guimarães, sócio do banco digital Modalmais, o mesmo fluxo que beneficiou as ações do Ibovespa também influenciou negativamente os fundos cambiais e fundos de investimento indexados ao ouro no mês. "Mas o dólar e o ouro ainda acumulam valorização expressiva no ano", argumenta. Em novembro, o preço do ouro em reais teve queda de 12,32%, mas avança 49,27% no ano.

Guimarães conta que o mês de novembro também foi de recuperação na renda fixa, com fundos Ima-B retornando para o positivo no ano. Segundo dados da Anbima, até 26 de novembro último, o Ima-B mostrava alta de 1,92% no mês e de 1,40% no ano. Já o Ima-B 5, com títulos com prazo maiores de 5 anos, exibia variação de 1,33% no mês e de 6,11% em 2020. Já o IRFM, que reflete os papéis prefixados, tinha variação de 0,44% em novembro, e de 4,76% no ano.

Mas na parte mais conservadora da renda fixa, investimentos como poupança, Tesouro Selic, fundos simples, fundos DI pós-fixados e fundos de duração baixa e risco soberano seguem apresentando rentabilidades nominais muito baixas, pouco inferiores a 0,10% no mês. O Ima-S, que reflete a variação da Selic, teve variação de apenas 2,04% em 2020, e a poupança, rentabilidade líquida de 1,42% no período.

Para Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, o setor financeiro e de commodities também foram destaque neste mês. "Tanto por serem a porta de entrada dos investidores estrangeiros na bolsa brasileira, vide que possuem ampla liquidez, como também pelo resultado melhor do que esperado no terceiro trimestre de 2020 no caso dos bancos. Enquanto do lado das commodities, houve a manutenção do rali do minério de ferro e recuperação da celulose com a economia chinesa indo muito bem, com menores estoques", disse.

Sobre dezembro, Ribeiro avalia que o que manterá o interesse dos estrangeiros será uma "solução efetiva do governo" sobre o rumo da política fiscal , ou seja, o andamento da agenda de reformas. "As últimas indicações apontam que somente vamos ver avanço em fevereiro do ano que vem após as eleições do Legislativo. No tema global, os investidores estão ansiosos por um novo programa de estímulos pelo Fed e, pela configuração do novo governo, existe a chance de ser ainda maior do que o esperado, e isso é um bom potencial de valorização para a renda variável", afirmou.

Já na visão da estrategista-chefe da Rico Investimentos, Betina Roxa, há ainda outra razão para explicar a alta do Ibovespa em novembro. "O que também acabou ajudando foi a rotação para setores que foram mais impactados durante a pandemia como petróleo, bancos e aéreas, e a saída de setores mais beneficiados como o de tecnologia, que foram bem ao longo da pandemia", disse.

Para dezembro, além da questão fiscal, Betina chama atenção para imagem do Brasil no exterior. "Os avanços na responsabilidade sócio ambiental e de governança no Brasil, uma condição essencial para o estrangeiro voltar e ter de fato grandes alocações no País", afirmou.

Contato: ernani.fagundes@estadao.com
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