Economia & Mercados
06/12/2018 22:30

Fazenda/Ana Paula: não é a prioridade neste momento privatizar a Caixa


São Paulo, 06/12/2018 - A secretária executiva do Ministério da Fazenda, Ana Paula Vescovi, disse que, neste momento, a privatização da Caixa não é prioridade. Apesar de considerar que esse é um debate que a sociedade deve fazer e que deve ser estudado, Ana Paula disse que o mais importante agora é definir estrategicamente o papel da Caixa.

"A prioridade de fato é entender que, por ser público, tem que ser ainda mais eficiente. Tem que ter uma medida de retorno das ações sociais da Caixa e de retorno das outras ações como um banco qualquer. A Caixa tem que existir por si própria, gerar lucro suficiente para crescer organicamente", disse em entrevista à Miriam Leitão, na GloboNews, nesta quinta-feira (6).

Ana Paula é presidente do Conselho de Administração da Caixa e comandou um ajuste no capital do banco de cerca de R$ 20 bilhões de reais, que permitiu o enquadramento nas regras de Basileia sem necessidade de aporte do Tesouro. Segundo ela, foi feito um ajuste no lado do crédito, reduzindo a carteira de empréstimos e escolhendo os mais rentáveis. Além disso, houve mudanças na Tesouraria e melhorias na governança do banco.

Ajuste fiscal
Durante a entrevista, a secretária-executiva da Fazenda defendeu o ajuste fiscal nas contas do governo federal e também dos Estados. No governo federal, ela classificou a situação como "insustentável", uma vez que há um déficit primário ao redor de R$ 130 bilhões, sendo que ainda é preciso pagar os juros da dívida de forma que ela se estabilize.

Além disso, acrescentou, há um envelhecimento acelerado da população, que impacta fortemente o sistema previdenciário, que é a maior razão do déficit, segundo ela.

"É importantíssimo entender que a reforma da Previdência vai trazer equidade social", ressaltou ela, completando que "não é verdade" que o ajuste fiscal prejudica os mais pobres.

Ela explicou que a proposta de mudança nas regras da aposentadoria não mexe com os benefícios de até um salário mínimo, que são 70% do total e corresponde à parcela mais desfavorecida da população.

"Vai afetar quem se aposenta muito cedo, e os mais pobres normalmente se aposentam por idade"

Ela reconhece que é um diálogo difícil com o Congresso, mas disse que o Legislativo e o Judiciário, que frequentemente têm ações que impactam o Orçamento, precisam entender o tamanho do desafio fiscal do País. Nesta quarta-feira, por exemplo, foi aprovada na Câmara uma flexibilização de gasto com pessoal nas cidades.

"Quando falamos em reequilibrar as contas públicas, falamos em criarmos condições de manter a taxa de juros baixa e a inflação sob controle no País."

Estados
Ana Paula afirmou que os governadores eleitos vão encontrar diversos Estados com a situação fiscal dramática, mas refutou que a solução seja ir à Brasília. Segundo ela, isso já foi tentado no governo atual. "Há Estados com a dívida suspensa pelo STF, fora do regime fiscal e ainda endividados."

Segundo ela, os governos estaduais precisam fazer o ajuste em seus gastos e lutar pela aprovação da reforma da Previdência na esfera federal. (Thaís Barcellos - thais.barcellos@estadao.com)
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