Economia & Mercados
09/04/2020 14:54

Companhias cortam salários de executivos e dão exemplo na hora de austeridade


Por Fernanda Guimarães

São Paulo, 09/04/2020 - O movimento de corte de salários de executivos - que começou nas companhias aéreas, as mais afetadas pela restrição dos voos com a crise do novo coronavírus -, vem sendo visto em empresas de outros setores que precisam preservar, ao máximo, o caixa. No varejo, o Magazine Luiza cortou em 80%, por três meses, os salários de seus dois principais executivos. Entraram na restrição, o presidente, Frederico Trajano, e seu vice-presidente de operações. Para os demais executivos, incluindo o conselho, também foi feita redução dos salários.

"Vamos viver, nos próximos meses, um período de austeridade, a ser compartilhado por todos. No início de abril, a alta liderança da companhia, sensível aos desafios econômicos impostos pelo isolamento social, teve a seguinte iniciativa: reduziu em 80% - por um período de três meses - os salários de seus dois principais executivos: o CEO e o vice-presidente de operações. As remunerações dos 12 diretores-executivos tiveram uma diminuição de 50%, mesma redução aplicada para os sete membros do Conselho de Administração, e as dos demais diretores, de 25%", segundo a companhia, em comunicado ao mercado.

Além do olhar no caixa, a medida transmite sinal de alinhamento dos principais gestores ao momento de grande austeridade. Por isso, a medida se espalhou por várias áreas atingidas pela crise. Uma das maiores redes de hotéis do mundo, a Marriott, suspendeu até o fim do ano os pagamentos a seu presidente, Arne Sorenson. Outras empresas, dentre elas a Ford, General Eletric e Lyft, adotaram medidas semelhantes.

O especialista em governança corporativa, Renato Chaves, afirma que, no geral, as empresas acabam usando as mesmas fórmulas para preservar o caixa em momento de crise. Entre elas, renegociação com fornecedores, postergamento do pagamento de aluguéis e, muitas vezes, demissões. Por outro lado, o corte de salários de executivos pode ser, de fato, uma contribuição pequena em valor, mas que passa um recado importante.

Segundo ele ainda, se a crise é passageira, poderia ser uma saída para as empresas a realização de um aumento de capital. "Se a crise é passageira, e se os sócios acreditam firmemente no negócio, o momento é de acreditar ainda mais e injetar dinheiro novo no negócio", diz.

O fato é que os executivos, ao longo das últimas semanas, têm tentado encontrar saída para mitigar os efeitos da crise. "Tem sido possível perceber que há uma enorme variedade de impactos para diferentes empresas, há setores que sofrendo gravemente no curto prazo, outros terão um efeito econômico proporcional, mas gradual, no médio e longo prazos", afirma o presidente da consultoria de recursos humanos Talenses Executive, João Marcio Souza.

A sócia da ACE Governance, Cristiana Pereira, diz que as empresas precisam buscar alternativas para passarem por esse momento e os caminhos podem ser diferentes. "É difícil generalizar qual solução vai ser mais adequada em cada contexto, mas algumas empresas terão que adotar medidas mais austeras que outras". Ela afirma, no entanto, que a companhia precisa se debruçar sobre o assunto e fazer uma reflexão de olho no longo prazo. Se a conclusão é de que esse é um momento transitório, mesmo diante de dois a três meses difíceis pela frente, é preciso pensar na retomada. "Adotar medidas provisórias, que possam ajudar a navegar esse período, até que voltemos a alguma normalidade, pode ser importante. O eventual corte de salários (dos executivos) pode ser uma medida nesse sentido", diz.

A boa gestão do caixa e redução de custos está na mesa de discussões entre sócios e conselhos de administração nesse momento, segundo o presidente da Mesa Corporate Governance, Luiz Marcatti. É preciso, diz ele, diminuir custos e gastos não essenciais para evitar desperdício de recursos. "Reduzir salários de executivos do alto escalão pode ser uma saída nesse momento de avanço da Covid-19 para evitar demissões", afirma.

Contato: fernanda.guimaraes@estadao.com
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