Economia & Mercados
17/11/2020 08:57

Especial: Black Friday deve ser menos agressiva para lojistas menores por falta de insumos


Por Talita Nascimento

São Paulo, 16/11/2020 - A Black Friday deste ano deve ter descontos menos agressivos em razão da pressão de preços e falta de insumos que a indústria sofre. Esse cenário, porém, fica menos evidente nos grandes marketplaces com capital aberto na Bolsa. Via Varejo, Magazine Luiza e B2W já disseram estar preparados e com estoques para a data. Porém, quando se trata dos lojistas menores, que muitas vezes até vendem nestas plataformas, a capacidade de renovar os estoques não é tão grande. "Eles (os grandes marketplaces) conseguem estar preparados porque têm prioridade na indústria", diz Alfredo Soares, cofundador do Gestão 4.0 e vice-presidente da Vtex.

"Eu não acho que não vai ter produto na Black Friday (para o lojista menor), eu acho e tenho acompanhado que vai existir um problema na reposição desses produtos", complementa Alfredo. Ele lembra que as lojas virtuais de menor porte têm um problema recorrente na precificação de seus produtos, especialmente em promoções mais agressivas como a Black Friday. Assim, neste ano, deve haver ainda mais cuidado para não colocar em oferta produtos que tenham alto índice de procura. Se fizer isso, o empreendedor acaba abrindo mão de margem e ficando sem vender nos próximos meses por falta de mercadorias.

Como foi mostrado pelo Estadão/Broadcast na última semana, faltam insumos para diversas áreas da indústria. O varejo de móveis Muma é um exemplo de empresa que teve de diminuir os descontos em razão do contexto industrial. "Precisamos desativar alguns produtos do site e demos descontos tirando da nossa margem. Geralmente, na Black Friday, há um porcentual de desconto do fabricante e do varejista, por isso, neste ano, os porcentuais são menores", explica Matheus Ximenes Pinho, sócio-fundador da Muma.

Neste ano, os descontos do site para itens de decoração chegam a 60%, mas ficam em 30% para produtos de maior valor. O prazo de entrega, por sua vez, aumentou, passou de 30 a 40 dias para cerca de 90 dias. Isso porque há insumos dos fabricantes, que passaram de 15 para 90 dias de tempo de entrega. Pinho conta que há fornecedores que chegam a ter produtos prontos parados, por falta de papelão para embalá-los. "São produtos delicados de laca ou vidro que podem ser avariados se não tiverem essa proteção", diz.

Para Gustavo Chapchap, líder do Comitê de E-Commerce da Associação Brasileira de Agentes Digitais e diretor da Jet/ZapCommerce, a dificuldade dos comerciantes menores em oferecer descontos mais agressivos ou ter produtos à disposição para repor os estoques não deve minguar o consumo da data. "Se tem insumo que vai fazer falta, há outras empresas que estão melhor preparadas. Tempo de entrega e valor de frete devem subir. Logo, se ele (o cliente) não pode esperar, vai mudar de item", diz.

Contato: talita.ferrari@estadao.com
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