Política
10/05/2019 22:52

Haddad diz que Bolsonaro vive em 'mundo paralelo'


Por Fábio Grellet

Rio, 10/05/2019 - O candidato derrotado à presidência Fernando Haddad (PT) disse que o presidente Jair Bolsonaro "vive num mundo paralelo" e que, além de cortes em setores essenciais como educação e saúde, sua "única medida concreta foi o fim do horário de verão". Nesta sexta-feira (10) Haddad esteve no Rio de Janeiro, onde à noite participou de um evento em defesa da educação pública, na Cinelândia (região central).

"Bolsonaro não toma uma única medida que traga alguma esperando ao povo brasileiro. A única medida concreta que ele anunciou até agora foi o fim do horário de verão. O resto é aumento de diesel, aumento da gasolina, corte da Previdência, corte da educação, corte da saúde", afirmou Haddad.

"O presidente só faz agradar a bandeira e o presidente norte-americano, em vez de prestar contas do que pretende fazer com nosso país", criticou o petista. "Bolsonaro tem problemas graves, e não falo dos problemas pessoais e familiares, falo dos problemas que afetam a vida nacional. Ele tem problemas filosóficos, sociológicos e psicológicos. Ele vive num mundo paralelo. Aquele astrólogo manda mensagens para ele e é de lá que o País está sendo governado", disse, referindo-se a Olavo de Carvalho, que mora nos Estados Unidos.

O ato teve a participação de vários outros políticos de esquerda, como os deputados federais Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Benedita da Silva (PT-RJ). Ao discursar, todos eles ressaltaram que na próxima quarta-feira (15) está planejada uma greve nacional de educação, organizada por diversas entidades ligadas ao tema.

"Bolsonaro disse hoje que semana que vem vai ter um tsunami no governo dele. Não sei a que ele se refere. Ele não estava se referindo à educação, mas o maior tsunami que ele vai sofrer no governo é o da educação. Enquanto ele não devolver para o MEC cada centavo que ele tirou na semana passada, não vamos sair das ruas. Os estudantes sabem o que está em jogo", criticou Haddad, referindo-se aos cortes anunciados pelo Ministério da Educação nas verbas destinadas principalmente às universidades. "No dia 15 vamos à rua gritar 'tire as patas da educação, Bolsonaro'", completou o petista.

Witzel
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), também foi alvo de muitas críticas dos políticos que discursaram, como o deputado Freixo: "Witzel, você é um covarde. Você estava naquela cena patética em que rasgaram a placa da Marielle, uma das cenas mais racistas e covardes que o Rio de Janeiro já viu. Agora você ameaça cassar uma das sementes da Marielle. Você não vai conseguir cassar o mandato da Renata Souza", disse Freixo, referindo-se à apresentação de um pedido de cassação da deputada estadual Renata Souza (PSOL), que denunciou Witzel à Organização das Nações Unidas (ONU) por conta de sua política de segurança.

"Você é muito valente caçando de cima de um helicóptero, atirando em gente pobre que está embaixo. Não é dessa valentia que o Rio de Janeiro está precisando. A gente queria ver sua valentia para enfrentar as milícias, que você não tem coragem de enfrentar", continuou Freixo.

A reportagem procurou a assessoria de Witzel, na noite desta sexta-feira, para que se pronunciasse sobre as afirmações de Freixo, mas não conseguiu contato até a publicação desta reportagem.
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