Política
03/10/2022 11:50

Telcomp: Congresso mais à direita ajuda agenda mais liberal e com menos intervenção do Estado


Por Circe Bonatelli

São Paulo, 03/10/2022 - A predominância de partidos de direita tanto na Câmara quanto no Senado reforça a expectativa de uma agenda mais liberal e com menos intervenção do Estado na economia, características que agradam a Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp), entidade que reúne em torno de 70 operadoras de banda larga - um dos segmentos econômicos que mais cresce no País.

"Um Congresso mais à direita ajuda", afirmou o presidente da Telcomp, Luiz Henrique Barbosa, em entrevista ao Broadcast. "Um Estado com menos intervenção na economia e com estímulos ao desenvolvimento do setor privado são aspectos positivos."

"Também acreditamos em regulação concorrencial. Em governos passados se usou o BNDES para se estimular os chamados campeões nacionais, mas isso não deu certo. Esperamos que um Congresso mais liberal ajude nas questões econômicos e seja atento às questões concorrenciais", afirmou.

Como exemplo citou o leilão de frequências do 4G e do 5G realizado em novembro e que teve caráter não arrecadatório, isto é: a maioria do dinheiro levantado no certame será aplicado diretamente pelas empresas em projetos de implementação de internet e não na forma de pagamento de outorgas para os cofres públicos - como vinha acontecendo desde a privatização do antigo sistema Telebrás.

O leilão não arrecadatório que precedeu a chegada do 5G foi, justamente, uma das principais vitrines da gestão do ministro das Comunicações, Fábio Faria, e do governo de Jair Bolsonaro.

A respeito da postura mais conservadora do Congresso, Barbosa declinou de comentar. "Como setor, não nos cabe discutir agenda de costumes", disse.

Para o segundo turno das eleições - que terá uma disputa mais acirrada do que o previsto pelas pesquisas entre Lula e Bolsonaro - a expectativa do presidente da Telcomp é que o debate seja mais voltado para propostas, o que quase não foi visto na fala desses candidatos no primeiro turno.

"Serão quatro semanas nas quais a gente torce para haver oportunidade de debates de propostas. Gostaríamos que o nível da discussão fosse elevado", disse. A esperança é que os debates incluam o segmento de telecomunicações e tecnologia, apontados por Barbosa como essenciais para fazer deslanchar a educação e o mercado de trabalho.

"Auxílio Brasil é importante, mas também é preciso discutir como investir em educação, com inclusão das ferramentas digitais. Sem telecomunicações, a população não se informa, não se educa e não consegue trabalho". Ele citou que cerca de 20% da população usa internet para obter renda via plataformas como iFood, Uber, Getninjas, entre outros.

Contato: circe.bonatelli@estadao.com
Para ver esta notícia sem o delay assine o Broadcast Político e veja todos os conteúdos em tempo real.

Copyright © 2024 - Todos os direitos reservados para o Grupo Estado.

As notícias e cotações deste site possuem delay de 15 minutos.
Termos de uso